Palavras ao vento…

causos, verdades e mentiras de uma vida repletas de palavras.

Pagãos ou cristãos? Outubro 31, 2006

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 6:44 pm

“Paganus”: Literalmente, “homem do campo” ou “aldeão”. Lembro bem de quando eu era menina brincando na rua. Ouvi alguém falando sobre pessoas pagãs. O que é isso perguntei a minha tia. “Pessoas do lado oposto ao de Cristo, bruxos,etc…”.
Por anos aquela palavra terrível me assombrou, acompanhou a menina que virou quem sou hoje.Sonhava com os tais pagãos que tinham um rosto terrível a cada noite.

Cresci e comecei me questionar. O homem do campo, crente no poder da lua sobre sua colheita. O marujo que acredita nas marés e pode prever as águas. Todos eles seriam bruxos, pagãos?
Assim, eu, seria naquela época uma pagã? Uma bruxa! Como todas as outras pessoas que tivessem crenças ou tradições diferentes da igreja. Ainda que, esta crença fosse em mim mesma!

Para o paganismo, deus é a própria natureza e isso inclui o homem. Somos feitos de opostos, de bem e mal. Somos os únicos responsáveis por nosso fracasso ou nossa vitória. Os homens podem ser fracos ou fortes.

Crenças a parte, hoje, celebramos, todos nós, pagãos e cristãos o Halloween! Uma festa pagã! Sim o halloween nasceu na Gália, numa tradição Celta, originalmente para celebrar o final do verão que acontece nesta data, “Samhain” significa “fim do verão”, e a época onde o véu entre este mundo e o dos antepassados ficava mais tênue. Era época de oferenda aos deuses e mortos.

Como naquela época, 600 ac não tinha nem Cristo e nem igreja. Adivinhem: Não tinha o pecado! Não existia a culpa, apenas a consciência e a razão. Tudo ia muito bem até que os ingleses, foram chegando. A tal festa sagrada se tornou a noite sagrada (hallow evening). Daí para halloween é fácil imaginar o caminho.

Ok, mas e as bruxas? A inquisição chegou! Bruxas para o fogo! E afinal todos que celebram outras crenças, ainda que vinda de seus ancestrais são bruxos ou pagãos! E você é pagão ou cristão?

 

O tempero da vida Outubro 26, 2006

Arquivado em: Temperos e segredos — giovannavilela @ 8:37 pm

Jung usaria a sincronicidade. Freud as pulsões. Eu, explico meu amor pela Grécia pelo simples fato de sua cultura, filosofia e história serem como um grande conto de fadas, porém, tudo faz sentido.

Os Gregos, embora hoje não sejam tão lembrados, é o povo mais sábio e intrigante que já conheci. E como dizia meu pai; “Há que se comer um saco de sal em companhia de alguém, antes de conhecer a pessoa de verdade.” Ora, muitos devem ter sido os sacos de sal que comi em solo ou mar grego.
Mais ainda, foi o tempo que passei lendo sobre este país que encontra beleza e filosofia em tudo.

Muito do que somos ou pensamos hoje veio deles, do povo que já usava a mente em 1500 ac.
Deixemos de lado (por enquanto), parte do fascínio deste povo, para focar na culinária.
Eu, que já trabalhei de chef, garçonete e até hostess em restaurantes de NY, adoro os segredos da culinária.
Vivo um pouco, como no filme Como Água para Chocolate, levo a sério o que comemos.

E foi em Mikonos, numa casinha branca, que descobri a paixão visceral pela coalhada seca. Até aquele verão, alguns anos atrás, acreditava que a coalhada era um prato árabe ou libanês.

Zia Hamsssa, uma senhora cheia de vigor como dizem os gegos (obesa e muito alegre, diríamos), ensinou que foram eles, os gregos, ou helenos como era conhecido todo o povo que falava grego,mesmo que não vivesse na Grécia, que deu origem a muitos outros povos.

Como a Grécia é um aglomerado de ilhas, ficava muito difícil trazer e manter alimentos frescos. Os homens, sábios filósofos, criadores de fundamentos de justiça e liberdade individual ainda hoje respeitados, precisavam alimentar sua alma e seu intelecto. Sábios, acreditavam que a hora das refeições era sagrada, deveria ser também um momento de discussão, de compartilhar idéias e sentimentos. De aprender com os outros.

Um grego nunca, jamais, come sozinho. A maioria das comidas gregas, são feitas em grandes porções. As refeições, banquetes com muita variedade de sabores e perfume. Esta é mais uma lição. Embora a mesa esteja sempre farta, não devemos comer além do que precisamos, a gula, é o pecado dos egoístas. Os sábios escolhem com calma o que comer, matam a fome do corpo e depois, com o vinho e os amigos, matam a fome do intelecto. A luz do conhecimento, já contava Platão em um de meus mitos preferidos, o mito da caverna, é a maior fonte de prazer, mas pode cegar os “ignorantes”, mas isso já é assunto para outro post.

A tradição da comida e da música é coisa séria para os gregos. “A música, minha filha, alimenta a mente e dá equilíbrio. A comida é sagrada, abençoada por Zeus ou por Hades (deus do inferno), depende de quem cozinha, por isso, ninguém coloca a mão na minha comida sem pedir permissão. A coalhada seca é a base de tudo, pura, nutritiva, porém forte e com personalidade, como os gregos.” Dizia uma Zia Hamssa já com as bochechas vermelhas de tanto mexer o caldeirão de leite.

E foi assim, em meio a deuses e tradições, que começou o que hoje chamo de coalhadoterapia, ritual de um dia e duas noites até que fique pronta a coalhada e quem a prepara.
Ontem, ao som de música e cheia de idéias na cabeça, comecei o preparo da comida dos deuses. Como de costume, começo numa noite inspirada, de preferência com céu estrelado. Todas às vezes, lembro do rosto rosado e sempre feliz da Zia Hamssa, afinal tudo o que sentimos enquanto cozinhamos passa para a comida. Durante dois dias, esqueço de todo o meu ceticismo.

A cada passo, uma lição. A cada gota de soro que escorre pelo ralo da pia, mando junto um problema. Assim aprendi o segredo de uma tradição milenar. Amanhã, coalhada pronta, amigos reunidos, narguilé, vinho, musica e muita alegria enquanto comemos a coalhada e falamos da vida.

Assisti, já faz muito tempo, um filme que me fez lembrar da Zia Hamssa, ela era como o avô da personagem do filme “O Tempero Da Vida”.

 

Camaradagem * * * * Outubro 23, 2006

Arquivado em: Dicas Culturais — giovannavilela @ 2:00 am

Um casal vivendo segundo regras de amizade e companheirismo. Igualdade entre os sexos. Será que funciona? Esta é a discussão de um dos dramaturgos mais incríveis do século passado. August Strindberg (1849/1912), sueco, nascido em Estocolmo. Homem de letras, novelista, poeta, pintor, considerado um dos maiores renovadores do idioma sueco, idealizador do “teatro íntimo”.
Provavelmente o fracasso de seu primeiro casamento foi um dos motivos pelo qual ele se interessou tanto sobre o tema desta peça, Camaradagem (depois de escrever esta peça ele se casou e separou duas vezes,tudo isso no século passado).
O grupo Tapa levou para o palco, pequeno e intimista, toda a bagagem de um escritor que conviveu com artistas como Edward Munch e Gauguin.
A brilhante direção de Eduardo Tolentino surpreende nos mínimos detalhes. Pode ser pura coincidência, mas encontrei uma semelhança entre a Bertha (personagem da peça) e Betrha de Freud (um dos casos mais conhecidos de histeria).
Certo mesmo foi o fato de Srindberg ter lido grande parte da obra de Freud e ser um dos primeiros a discutir a idéia da psicanálise, além de ter recebido cartas de Nietzsche.
Sua arte, possuía um vanguardorismo inequívoco, embora tenha demorado para ser reconhecida, hoje é considerada precursora do que viria a ser o expressionismo abstrato americano dos anos 50.
Embora retrate as mulheres de forma cruel, não deixa de ser magnífico assistir a esta guerra dos sexos, atual ainda hoje.
Minha dica para quem for assistir a esta ótima montagem é; Ligue antes para reservar (38011843) e tente chegar cedo. Não ha lugares marcados e o palco é baixo, o melhor lugar é mesmo na primeira fila (onde me sentei). Preste atenção nos diálogos, mas não deixe de notar a força que tem o silencio bem representado. Assim como na pintura, os espaços vazios também dizem muito.
Camaradagem, de August Strindberg. Direção de Eduardo Tolentino, com o elenco do Grupo Tapa.Viga Espaço Cênico — r. Capote Valente, 1.323, Pinheiros, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3801-1843. Quinta a sábado, às 21h; domingo, às 19h. Até 29/10/06. R$ 20 e R$ 30.
 

Escolhas ou ilusões Outubro 18, 2006

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 10:24 pm

Vivemos num mundo onde a informação é tão rápida que muitas vezes muda antes de chegar ao destino. Esta velocidade no mundo físico se tornou ansiedade e angústia nas pessoas.
Atualmente, nossa vida é uma escolha diária, o que significa milhões de renuncias todos os dias. Já pensaram como a variedade pode nos fazer infelizes?

Nada mais é simples. Vamos ao super-mercado comprar leite, temos que escolher entre leite integral, desnatado, vitaminado, com cálcio, sem cálcio, semi-desnatado, sem proteínas do leite, de soja, de vaca, de cabra, se bobear tem até leite de ET´S por aí.

Esses dias, me ligaram para fazer uma pesquisa sobre os produtos que eu costumava usar em casa, como estava de ótimo humor resolvi ajudar. Esse humor durou até eu ouvir o tamanho da lista de opções para cada produto. Só de geléias de morango tinha mais de quinze.

Vejo que as pessoas estão sempre angustiadas, tensas. E o tempo? O que fazer com nosso tempo livre? São tantas as opções que gastamos 90 % do tempo pensando no que fazer e quando decidimos, já acabou.

Eu sempre fui viciada em informações, queria saber tudo o que estava acontecendo no mundo. Hoje, estou tentando me desinformar um pouco. Tirar um pouco de tanta informação inútil que recebo todos os dias. Nessas horas me arrependo de não ter acabado a faculdade de psicologia (fiquei na dúvida entre muitas escolhas e acabei mudando de faculdade).

Imagino que seria muito difícil escolher uma especialização, afinal hoje em dia tem até psicólogos de cachorro, gato… O pior é que o mundo está cheio de variedades para absolutamente tudo, de escova de dente até mulheres. Será que é esta a razão do povo Brasileiro estar tão confuso na hora de votar?

 

Um país traduzido nas telas Outubro 17, 2006

Arquivado em: filmes — giovannavilela @ 12:18 pm

Ter morado na Itália contribuiu muito para minha vida cultural. Diferente dos quatro anos que passei nos Estados Unidos, a Itália, viveu e ainda vive de um passado grandioso cultural e politicamente.

Não conheci uma pessoa, por mais alienada que fosse, incapaz de falar sobre o cenário político de seu país. Os italianos falam alto, discutem por tudo e fazem valer sua opinião(eles tem uma opinião pessoal). Tantas foram às vezes em que depois de algumas taças de vinho local, acabávamos a noite numa mesa de bar da cidade eterna falando sobre história ou política.
Já nos Estados Unidos, a situação era bem diferente. Não vou considerar a Califórnia, afinal eu ainda era muito jovem.
Em NY, porém, conheci e convivi com pessoas de várias profissões e diferentes partes dos Estados Unidos, era inebriante a forma como falavam de seu país. Raras eram as discussões políticas, o que acontecia era uma “fofoca” sobre a vida pessoal dos políticos. Na época, Bill Clinton e Mônica formavam juntos, o casal da imoralidade. Não se questionava a qualidade do governo, as posições políticas do presidente e sim a vida privada, a mentira conjugal.
Era como se o presidente tivesse mostrado sua face humana, decadente e emocional. Meu Deus, como pode, um americano agir como um simples mortal?
Este cenário, digo cenário porque efetivamente era como eu me sentia, dentro de um filme ou peça onde todos tinham os seus papéis, foi colocado de uma forma brilhante na tela, por Sam Mendes em 1999 (American Beauty). Ainda hoje, lembro de estar voltando a pé do cinema com aquela sensação deliciosa de ter visto um grande filme, de ter visto o que eu sentia em relação a um país, traduzido tão bem em imagens. Fiquei conversando sobre o filme por horas antes de dormir. Alguns anos depois, já no Brasil assisti a outro grande filme sobre a situação dos americanos, Dogville.
Tudo isso, veio hoje em mente porque recebi um e-mail de um amigo italiano. Ele lembrava sobre um dia, uma viagem em que fizemos e discutimos sobre o filme que melhor representava a alma de um país. A forma de pensar de seu povo, as angústias e alegrias. Na ocasião, citei rapidamente os filmes sobre a sociedade americana. Ao falarmos sobre a Itália, minha opinião foi uma só. Gabriele Salvatores, um dos maiores diretores de todos os tempos, a meu ver, mostra claramente a ambigüidade do povo italiano.
Constrói uma moral humana, fadada a errar mesmo sendo uma pessoa de bem. Criou brilhantemente a personagem ambígua e fascinante de um homem contemporâneo (Diego Abatantuono) no filme Amnésia(2002), assim como Denti (2000) e Io Non Ho Paura (2002). No e-mail, ele pergunta sobre o filme que melhor traduz o que sentimos hoje, a alma do brasileiro neste momento.

Vou ter que pensar um pouco para responder, alguma idéia?

 

Meu dia das crianças Outubro 16, 2006

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 12:27 am

Poucas coisas me fazem sentir tão bem como galopar. É dia das crianças. Para presentear aquela que vive dentro de mim. Fugi para fazenda da Bel. E foi lá, no meio da cana verdinha, que fechei os olhos e galopando, senti a delicia de ser por alguns instantes uma menina voando sobre um mundo perfeito. Sem política, sem problemas, sem razão. O mundo sobre os pés da Saudade tem cheiro de flores molhadas e sabe de silêncio e musica de passarinhos.
 

sobre o debate Outubro 10, 2006

Arquivado em: Política — giovannavilela @ 5:01 pm

É impressionante como o LULA sabe tudo

o que aconteceu no governo FHC

e não sabe nada do que acontece no dele.

 

Asas de águia Outubro 9, 2006

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 11:43 am

Acabo de ler uma história muito interessante. Dois pilotos americanos salvam heroicamente a tripulação de um jatinho após colisão com outro avião. Um dos sobreviventes, um jornalista americano, narra em seu blog os minutos em que sua vida esteve por um fio. Coincidentemente o tal jornalista acabou virando manchete em todos os jornais. Mr. Joe Sharkey, agora já refeito e reconhecido, está indignado com o Brasil por impedir os pilotos (heróis) de voltar para casa. Não que tenha alguma importância o fato do jatinho de U$25 milhões estar voando a 37 000 pés quando deveria estar a 36 000 pés. Lógico que um avião desse porte e desse preço não está equipado com nenhum tipo de computador capaz de detectar a proximidade de um 737 com 154 pessoas, ainda vivas, não fosse o passeio dos heróis americanos.
O fato é que ainda não foi possível desvendar o que realmente aconteceu. O que sabemos é que o piloto do legacy saiu da cabine por alguns instantes e quando voltou ouviu um forte barulho. Responsabilidades à parte, o que me intriga é o teor das declarações do Sr. Joe Sharkey, que indignado, pede a liberação de seus companheiros pelo governo brasileiro (os pilotos foram convidados depor, já que são testemunhas chave no acidente). Como repórter americano, não deve ter outras noticias tão relevantes para escrever. Talvez pudesse investigar a situação de mais de 600 homens em Guantanamo (também considerados heróis em seus paises) proibidos de voltar para casa por americanos vaidosos como Sharkey. Imagino que o sr. Sharkey exímio contador de particularidades da vida de presidentes (foi ele quem escreveu sobre Lula beber pinga) escreva também uma matéria sobre Bush e sua displicência em relação ao aviso antes do 11 de setembro enquanto jogava golfe.
Enquanto isso, um dos pilotos escreve uma carta para a Condoleezza Rice pedindo que interceda para que ele seja libertado!
Viva a américa!

 

eleições Outubro 2, 2006

Arquivado em: Política — giovannavilela @ 12:07 pm

Collor foi reeleito e Maluf o mais votado de São Paulo? Estamos armando algum assalto interplanetário e ninguém me avisou? Com esse time é sucesso na certa.

 

Pobre menino sem mãe Outubro 2, 2006

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 11:53 am

Sempre que nasce um bebê, nasce com ele uma mãe. Mas e o pai? O pai não carrega o filho dentro dele, não é obrigado a acompanhar, a sentir e nem a conhecer o amor daquela pessoa. Não raro, pais se distanciam da mulher, fogem da responsabilidade e do sentimento. Muitos homens se justificam, dizendo que só conseguem amar o filho quando podem interagir com a criança. Tantas são as mulheres que, abandonadas, sofrem sozinhas o encontro com esse amor.
Amor por filho é tão grande que chega a doer. Dá medo pensar naquela vida em nossas mãos. A partir daí, a mãe perde o direito até de morrer. A própria vida fica em segundo plano.
O pai vai nascendo aos poucos, por escolha. O pai vai amando cada parte da descoberta que é ser pai. Acompanha o primeiro sorriso, o primeiro banho e vai se tornando cada vez mais pai.
Recentemente, descobri que existem mulheres que não aprendem a ser mães quando nasce a criança. Para ser mãe, é preciso antes ser um ser humano capaz de amar, de sentir, de aprender. Uma mãe é capaz de sacrificar a própria felicidade em favor do bem estar do filho.
Aprendi que um pai, ainda que não seja biologicamente pai, conquista o direito de ser. Escolher ser pai é muito mais do que fazer um filho. Quem, em sã consciência, tomaria este amor, este sentimento de um homem? Como pode alguém pensar em apagar anos da memória afetiva de um homem e de seu filho? Pior, como este homem, a quem o direito de pai foi roubado numa mesa de restaurante, pode viver deixando o filho nas mãos de alguém com tanta frieza assim.
Leio em jornais esta noticia, como se fosse mais um acontecimento, entre uma festa e outra do circuito Rio-São Paulo.
Quantas pessoas ainda serão queimadas por esta fogueira das vaidades?