Palavras ao vento…

causos, verdades e mentiras de uma vida repletas de palavras.

Clara, a mulher das flores Dezembro 31, 2006

Arquivado em: Contos — giovannavilela @ 3:43 pm

Todo dia da minha janela vejo Clara passar.

Clara ia e vinha todo dia. O sol, ainda menino, acompanhava seus passos firmes.
Pisando na terra, flores na cabeça e felicidade no peito.
Não sabia muito sobre o lado de lá do mundo.

Menina que era, sonhou ir para cidade grande, andar de escada rolante e procurar um homem.
Seu nome era João de Deus. O homem, diziam, era português.
Não tinha muito sotaque, mas falava palavras lindas e misteriosas.
A mãe de Clara se encantou por seu mistério.

Ouviu as histórias sobre a lua e chorou.
Apoiada na barriga contou os dias e perdeu a conta das lagrimas esperando João.
Muitas flores cresceram junto com Clara, que chegou ao mundo comao uma estrela cadente em noite de lua cheia.Aprendeu com a mãe a cultivar sorrisos coloridos como flores do mato.

“As flores minha filha, são sorrisos de Deus, brindam a felicidade e escondem a tristeza.”


Por mais de vinte anos Clara ajudou a mãe a arrumar a sala com jasmin perfumado a espera do pai.
Até o dia em que sua mãe partiu, deixando na casa, seu corpo cansado e o perfume das flores nas mãos.
No lugar de lagrimas, gotas de chuva molharam o jardim.

No cemitério, apenas ela e o coveiro.
Sem ninguém para chorar com ela, resolveu guardar sua tristeza.
O coveiro, que era também jardineiro, pegou sua mão e como não sabia falar bonito, falou em silencio palavras que não conhecia.

Clara ainda não sabia, mas João, o jardineiro, nunca mais largaria sua mão.
Hoje, trinta e oito anos depois, Clara ainda anda de pés no chão.
Ainda acorda com o sol e não conhece as letras, mas não espera mais um João.
Na volta para casa, quem a espera é ele, que vem buscá-la na cidade cheio de flores nas mãos.

 

Um pouco de Olavo Bilac Dezembro 21, 2006

Arquivado em: Literatura — giovannavilela @ 12:51 pm

Nesse dias de correria.
O tempo, que já é mais curto a cada dia, parece encolher.
Faz dias que não consigo pegar um livro para ler…
Filmes então, só ano que vem.
Hoje porém, um e-mail me fez parar um pouquinho e sorrir:


Querida Giovanna,

Falei tanto de amor!… de galanteio,
Vaidade e brinco, passatempo e graça,
Ou desejo fugaz, que brilha e passa,
No relâmpago breve com que veio…
O verdadeiro amor, honra e desgraça,
gozo ou suplício, no íntimo fechei-o;
Nunca o entreguei ao público recreio,
Nunca o expus indiscreto ao sol da praça.
Não proclamei os nomes, que baixinho,
Rezava…E ainda hoje, tímido, mergulho
Em funda sombra o meu melhor carinho.
Quando amo, amo e deliro sem barulho,
E quando sofro, calo-me, e definho

Beijos carinhosos,

(…)

 

Um dia normal na vida de um país especial Dezembro 17, 2006

Arquivado em: Política — giovannavilela @ 4:40 pm

Comando azul, quer dizer Milícia, defende favelas atacando traficantes e cobrando alto o serviço de proteção.
Assaltos sobem.
Salário baixo continua mínimo.
Indústrias siderúrgicas conseguem “milagrosamente”, autorização do governo para construir um pólo industrial no Pantanal! Isso mesmo, no Pantanal!
Produtos químicos e chuva tóxica atingirão a área próxima a Corumbá em pouco tempo.
O presidente deste país passeia alegremente com seu cãozinho labrador, e sua mulher “botocada” pelo jardim do palácio onde a alvorada é sempre linda!

Boas festas brasileiros!!!

 

Acordei com o Oscar na cabeça Dezembro 14, 2006

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 6:11 pm

“A única forma de se livrar de uma tentação é cedendo a ela”

Oscar Wilde

Isso, quando queremos nos livrar dela

 

Viva a nossa Mátria! Dezembro 11, 2006

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 2:29 am
Fragmentos de um final de semana movimentado:

1- Tem lugares em que algumas pessoas (eu inclusa), dizem não gostar.
Têm lugares em que algumas pessoas nunca vão.
Lugares com pessoas diferentes. Lugares pretensiosos.
Têm pessoas que se enganam. Pessoas se surpreendem. Pessoas (eu inclusa), vão à lugares pretensiosos. Pessoas se divertem! Eu me diverti muito! Nem todo lugar pretensioso é chato. Não vou dizer o quanto me diverti, basta dizer que perdi o treino de sábado e o almoço ficou para o jantar! Obrigada Su e Marcos, vocês são uma companhia deliciosa, aguardo a próxima!!!

2- Surpresas e pessoas novas entraram em minha vida de uma forma sutil e inesperada.

3 – Depois de uma tarde cheia de conversar interessantes, discordei de meu amigo Paulo André quanto a eterna superioridade masculina. O mundo já viveu grandes dias numa sociedade matriarcal, dominada pelo poder feminino e intuitivo da mulher.
Ele não acreditou em mim, agora aqui coloco alguns pontos a serem considerados:

Até a sociedade Cretense, as mulheres dominavam o mundo. Enquanto a agricultura era a principal fonte de vida, a mulher, e seu poder, de assim como a terra (Gaia), gerar a vida, era considerada superior ao homem.

As sacerdotisas eram a voz da sabedoria.
A religião católica, criada apenas em 400d.c, ainda não havia influenciado o mundo.
O pecado não existia e dizia um grande historiados grego, Plutônio: “Em Creta, a mulher não governa, mas reina”.
O que conhecemos hoje como pátria, foi um dia a Mátria.

Os etruscos (antepassados dos italianos) e os Celtas, já cultuava a mulher e seu poder divino. Apenas com a chegada do comercio, a sociedade passou a ser dominada pelo homem.

Os mitos gregos narram esta passagem com a guerra dos titãs.

Desculpa P.A, mas você vai ter que aceitar que nós mulheres, estamos apenas buscando o que já foi nosso há muitos anos atrás.

 

Pensamentos soltos… Dezembro 8, 2006

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 12:34 pm

Cronos, estou com um probleminha:

Tenho algumas coisas a fazer, não são tantas.
Mas, para que eu possa fazer tudo, fiz umas continhas, preciso que você faça o dia aqui na terra ter a mesma quantidade de horas que em Marte.
Pode ser?


Algumas curiosidades sobre o céu brasileiro:

Assim como nas estradas, acabamos descobrindo que os buracos, negros ou não, são muitos e fatalmente perigosos.

Deus, que pasmem, descobri, não é brasileiro, tentou vir ao Brasil de férias, mas o vôo atrasou tanto que ele desistiu e acabou ficando mesmo em sua terra natal.

Apesar de alguns controladores do nosso céu tentarem, não falam inglês direito e nem sabem mexer em todos aqueles botõezinhos.

Os anjos ficaram tão confusos com o tumulto lá no céu que decidiram mandar um castigo bem grande para o Brasil. Desconfiados de que a sujeira por aqui andasse muito grande, abriram as torneiras e mandaram água. A coisa continuou “vermelha” e mandaram mais água…

Do outro lado, o lado quente, o chefe, muito esperto, resolveu aproveitar da “ingenuidade” dos brasileiros e, vendo que deus não vinha, mandou outro barbudo.

O outro barbudinho, apesar de muito simpático, não sabe de nada. Não sabe de onde vem o dinheiro, nem sabe o que tantas notas estavam fazendo numa cueca.
Ele olha tanto para o céu que os anjinhos já desconfiam que ele saiba mais sobre as nuvens do que sobre o Brasil.

E assim o céu continua azul, cheio de buracos e com um camaradinha, que bem poderia trabalhar com os anjinhos, ser padre de confessionário, já que não se lembra de nada e nem revela pecado algum!




 

"Em busca do tempo perdido" Dezembro 5, 2006

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 5:53 pm

Depois de alguns dias de guerra com a speed, este blog volta a vida normal…

Dezembro chegou, como sempre, mais rápido do que imaginávamos.
É incrível, como o tempo, embora digam ser regular, parece correr cada vez mais rápido.


E nós, que não somos os mesmos, estamos mais lentos, ainda que munidos da tecnologia, esta, mais rápida que o tempo. É o paradoxo da ansiedade.

Nós, da geração que sonhava com uma vitrola nova no natal, filhos de pessoas que desenrolavam seus drops dulcora em histórias de bicho-papão, estamos envelhecendo antes de viver.

Ainda que vivamos cada vez mais, os anos se encolhem de tal forma que a ansiedade sobre o futuro, destrói o presente.
Quantas vezes ouvimos “O futuro é agora, não deixe para amanhã”?
Estamos perdidos entre os tempos do verbo ser.

Nós “seremos” ou “fomos”. Não somos mais nada.
Nosso presente foi engolido pelo passado e pelo futuro.
A informação, fantasiada de ansiedade, não nos dá mais o direito de pensar, de procurar e decidir.
A informação é tanta que optamos pela sorte.

Meu sobrinho adolescente contou sobre o trabalho de final de ano, estava pesquisando a colonização e industrialização do Brasil.
Lembrei logo da enciclopédia Barça, do Atlas e dos passeios com a escola à Ouro Preto, museu do índio, metalúrgicas…

Eu copiava os desenhos com papel carbono (alguém ainda usa o papel carbono?). Passava horas escrevendo tudo e se errava, era só passar liquid paper.

Meu sobrinho não escreve desde a última listinha de natal.
Enciclopédia para ele, é alguma palavras difícil usada por professoras só para complicar, e pesquisa significa internet, cópia e impressão.

O que eu levava dias para fazer, ele faz em minutos.
Daí a pergunta volta a me assombrar.

Onde foi parar o tempo economizado com toda essa tecnologia?

O que aconteceu com aquele tempo que ainda sobrava para dar corda nos relógios de bolso que nunca atrasava?
Para onde foram às férias tiradas em Rolleiflex e aplaudidas no slide, numa tarde de groselha com biscoitos piraquê?

“Em busca do tempo perdido”, estou tentando encontrar algumas respostas.

Por enquanto, Proust me deu ótimas perguntas e mais vontade encontrar tempo para ler mais e melhor.

 

Dificuldades Dezembro 1, 2006

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 1:23 pm

“Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou construir um castelo.”

Fernando Pessoa