Palavras ao vento…

causos, verdades e mentiras de uma vida repletas de palavras.

Brakfast at subway Junho 28, 2007

Arquivado em: cronicas — giovannavilela @ 3:14 pm

O americano (digo americano por força do habito, mas me refiro àqueles que moram no andar de cima do mapa das Américas), gosta muito de ler, mas lê pouca literatura.Quando lembro das viagens diárias de metro, vem logo a imagem de uma típica americana, moradora do Brooklyn que pegava o N,R, linha amarela, todos os dias na mesma hora que eu.

Depois de me deliciar com os gigantes cientificamente criados, os strawberries da Deli vizinha, comprava o NY Times e um chá e levava para o trem, onde sozinha, me sentia acompanhada da mulher que como eu tinha pressa para tomar o café da manhã, bagel, cinnamoroll e um copo gigante de café que provavelmente seria reabastecido várias vezes durante o dia. Morando em NY, fica fácil entender porque os Tartarugas Ninja escolheram o metrô para viver.

Nunca conversei com Mrs. Big B.(Big Brown), mas como todos já sabem, NY enlouquece as pessoas. Não poderia ser diferente comigo. Ela, a gorducha simpática de 250KG era minha amiga “visível”, embora para ela, eu fosse totalmente invisível.

Na época, apesar de gostar de ler, eu não tinha muito tempo sobrando, vivia ocupadíssima de manhã, me recuperando das festas imperdíveis de um tempo perdido, que hoje, entendo o quanto me foi útil, afinal nem tudo o que é fútil é supérfluo.

O fato é que a Mrs. Big Brown permeou minhas estações e ressacas com uma literatura típica americana. Ela foi o retrato mais fiel do que muitos chamam de “American Dream”. Eu via em seus livros e revistas suas aspirações e planos. Como fazem planos os americanos. A viagem dos sonhos, o Hawaii passou por alguns guias, logo esquecidos com a nova realidade da família que cresceria em breve. Vi a ansiedade de uma avó em busca de mais espaço para a filha, praticamente uma menina, que grávida, se encostava no ombro da mãe atenta ao folheto imobiliário.Testemunhei a dor e a felicidade no rosto cansado ou com vestígios de festa.

Depois de anos de um convívio singular, chegou o dia de eu voltar. Como de costume, liguei para meus amigos, fizemos uma despedida. Fui à todos os lugares, onde imaginei, sentiria saudades e acordei cedo para pegar o metrô. Como de costume ela estava lá. Entrei, e a cumprimentei como se fossemos velhas conhecidas. Ela retribuiu o olhar com o ar de quem está acostumada com pessoas estranhas. Sentei no banco a seu lado e em silencio contei minha história. Ouvi a sua e sem palavras me despedi de uma das melhores companhias que já tive para o café da manhã.

 

FLIP Junho 28, 2007

Arquivado em: Literatura — giovannavilela @ 2:20 pm

Tento escrever sobre outros assuntos, mas de alguma forma acabo sempre no mesmo lugar, a FLIP.

Deve ser ansiedade, dês de o ano passado, quando fui parar em Paraty, acidentalmente nesta época, espero a chance de voltar.

Este ano a grande surpresa será a presença de Coetzee, premio Nobel e sonho antigo da FLIP. Embora tenha sido convidado para as últimas edições, nunca pode comparecer.

Os ingressos sumiram numa velocidade inacreditável para um país em que a média de leitura per capta é de apenas 1,8. Para quem não está familiarizado com a realidade leterária, basta saber que na Inglaterra, a média é de 4,9. Nos USA 5,1 e na França, bem lá já é humilhação, 7 livros per capta.

Ta certo que, em minha opinião, há uma longa estrada entre literatura e livros de entretenimento. Em NY, costumava me divertir e passar o tempo observando os livros que os americanos costumavam ler no metrô. De Sidney Sheldon e Danielle Steal à novelas mexicanas e biografias, na época a do O.J.Simpson era best seller nas banquinhas subterrâneas.

 

voando Junho 27, 2007

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 7:59 pm

foto de Chema Madoz

Estou cansada de andar tão devagar. Vou aprender a voar…

 

Lendo para entender a FLIP Junho 25, 2007

Arquivado em: Literatura — giovannavilela @ 2:46 pm

Não quero mais receber convites irrecusáveis, deliciosos, tentadores. Não! Pelo menos esta semana não. Sei que corro um sério risco de parecer pernóstica, para não dizer chata mesmo. Acontece que sabendo do meu fraco por uma mesa de bar ou uma festinha com amigos queridos, corro o risco de sucumbir à tentação e não conseguir aproveitar a FLIP.

A feira literária internacional de Parati começa dia 4. Aluguei casa, comprei convites para as palestras mais interessantes, além de ter forte convicção de que até lá, mais 4 livros irão para a lista dos lidos. O problema, porém, tem sido a tentação. De manhã treino, durante o dia trabalho e a noite, depois das 9hs é quando posso sentar ao lado de um chazinho de capim limão para me jogar de corpo e alma entre letrinhas magicas.

Não bastasse a quantidade de aniversários, noivados, casamentos e desacasamentos, tem também os outros livros. Aqueles que não fazem parte da flip, mas insistem em me tentar. Foi o caso de “Felicidade, desesperadamente”, enquanto não acabei o prozac de papel não tive paz. Sorte ele ser leve e prático. Acabei em dois dias, entre faróis der transito, garçons demorados e noites encurtadas.

Exatamente por isso, por que a felicidade é desesperadora e ainda sim, imprescindível e tentadora, conto com a ajuda do “acaso” para que eu não seja tão tentada assim.

 

Deu no Estado Junho 21, 2007

Arquivado em: Coisas de metrópoli — giovannavilela @ 3:11 pm

“Pane afeta 80% dos vôos e levanta suspeitas de operação padrão” , diz a manchete do Estadão.

Bom, pelo menos alguma coisa levanta. Ops, se a Marta ver isso nem quero pensar o que vai dizer. É capaz de mandar distribuir camisinhas vermelhas com estrelinhas brancas no aeroporto.

 

Adeus máscaras Junho 18, 2007

Arquivado em: Divagando — giovannavilela @ 4:44 pm

Nunca gostei de máscaras. Ainda pequena tinha mania de arrancar as máscaras dos palhaços ou monstros. Queria saber quem estava do outro lado. Afinal, uma máscara de guerreiro, pode esconder um fraco.

Da mesma forma que a máscara seduz, destrói uma paixão. O que pode ser mais triste do que descobrir que por trás da máscara não existe nada? Que por trás da espada existe dúvidas?

Sentimentos e palavras podem construir muito, mas apenas se vierem de uma pessoa real. Palavras vãs são como máscaras, um dia acabam caindo…

A criança se assusta e chora ao ver que o guerreiro não passa de um menino. Mas a criança cresce e aprende a conhecer as máscaras. Logo, não se lembrará mais do guerreiro e nem da espada.

O menino por trás da máscara, não. Se esconde dele mesmo e do espelho sem nunca enfrentar-se de frente. Acredita enganar o mundo, mas o mundo que construiu por trás da máscara parece tão real que o engana.

Não gosto de máscaras. Por isso a partir de hoje meu blog não aceita mais comentários anônimos.
Se você quer deixar um comentário, vou adorar, mas use sua senha do google. Quem tem orkut por exemplo já está cadastrado, se não basta se cadastrar.

E quanto aos mascarados, quem sabe no carnaval? Podemos até nos divertir juntos, mas só até quarta feira de cinzas…

 

A Alma Imortal Junho 18, 2007

Arquivado em: Dicas Culturais — giovannavilela @ 1:18 pm

Já faz tempo. Mais de um ano. Assisti o Púcaro Búlgaro no Rio e falei, “vai demorar até eu assistir outra peça tão boa”.

A alma imortal é ainda melhor. Não é tão gostosa e divertida de assistir, mas é intrigante e extremamente perturbadora. É contagiosa, tanto que saí do teatro direto para a livraria.

A noite de sábado, que deveria acabar numa boate chamada cabaré Kalesa, ficou pequena para tanta inspiração e me levou de volta ao quarto do hotel junto com o livrinho, inspirador da peça, do rabino Nilton Bonder.

Clarice Niskier, ganhadora do Prêmio Shell pelo papel dela mesma, leva ao palco passagens da bíblia, parábolas judaicas e questões filosóficas existenciais capazes de perturbar santos e demônios.

E são justamente os demônios de uma mulher que se diz Judia-Budista, que transgredindo a própria transgressão, desvia meu olhar para um canto de mim ainda não conhecido. Pode até parecer loucura, mas é inacreditável a força que tem um corpo desnudo de roupas e cheio de conhecimento.

Embora a peça fale sobre religião, não discute dogmas ou crenças, o que acredito pessoal e indiscutível. A alma imortal é uma peça inteligente e democrática. Capaz de agradar católicos, judeus e ateus.
Clarice, nua e apenas com uma cadeira no palco é capaz de nos deixar tão confusos pensando no que acabou de falar que, em certo momento, ela faz uma pausa, como numa aula e pergunta quem está perdido, sabendo que dificilmente alguém não está. Ela repete a parte que pedimos.

O espetáculo certamente virá à São Paulo, mas quem não agüentar, leia o livro, vale um ano de terapia.

 

Laboratório da Mandalah Junho 18, 2007

Arquivado em: Variedades — giovannavilela @ 12:13 pm

Quais as pessoas mais importantes da sua vida?Onde você as conheceu?Ainda é amigo dos seus colegas de escola? Desenhe um mapa do seu mundo,com passado, presente e futuro. Como você se vê daqui a dez anos?

Estas e outras perguntas estavam no diário que aceitei fazer para a Mandalah. Fui parte de uma pesquisa, para entender, imagino, o que faz com que nos tornemos quem somos.

Qual a relação entre o que seremos e o que queremos ser no futuro? Qual a participação científica dos nossos desejos? Vontade e confiança são capazes de guiar o que alguns chamam de destino?

Concluí a pesquisa este final de semana no Rio de Janeiro, onde conheci outros dois “ratinhos”. Juliana, uma fonoaudióloga de Recife e Aluísio, músico não de uma, mas de três bandas e membro de uma ONG que ajuda crianças a se manterem longe das drogas.

A idéia era nos colocar em contato e ver o que saia. Confesso que até o último minuto pensei em desistir. Até tentei, mas não encontrei meus botões desistidores de tarefas desconhecidas e acabei entrando no avião.

 

Uma ratinha de laboratório Junho 17, 2007

Arquivado em: Variedades — giovannavilela @ 9:08 pm

No RJ para uma experiencia “científica”, onde sou o que se pode chamar de ratinha de laboratório, conheci outros dois ratinhos. Prometo explicar com calma amanhã, de volta à SP.

A Juliana, ratinha com um liquidificador no lugar da cabeça, foi responsável por boas risadas, tanto ao vivo quanto em sua pagina, vale uma visita.

 

Enologos e cinéfilos Junho 15, 2007

Arquivado em: Cinema — giovannavilela @ 1:51 pm

Quando o assunto é cinema, divido as pessoas em dois grupos. As que gostam de cinema e as que gostam de gostar de cinema. Eu, por sorte, faço parte da turminha do primeiro tipo.
Não fujo de filme americano, embora em minha lista de melhores filmes, eles sejam mais raros.
Não é a escola que o diretor seguiu a genialidade da carreira de um ator ou a bagagem emocional de um ícone do passado, que vai me fazer gostar de um filme.São os arrepios que me causam.

Cinema para mim é diferente de filme. Hoje em dia, temos filmes nas bancas de jornal, nos supermercados e até dentro de casa, nas pontas de nossos dedos.

Ir ao cinema é diferente. Quando entro numa sala de cinema, fica para fora junto com o barulho da rua, os problemas do dia, a política nonsense do nosso Brasil, a vida cotidiana.
Carrego minha parte Totó junto com uma garrafinha de água e nada de pipoca, para não atrapalhar o silêncio de algumas partes do filme.

Não saberia responder qual o meu tipo de filme preferido. Assim como não sei qual a melhor uva para fazer um grande vinho. Mas se me derem um Brunello de Montalcino, seguramente não irei perguntar o ano ou a safra, vou pedir mais um pouquinho.

Se no lugar da rolha, o vinho tiver uma tampa de borracha, alguma coisa está errada. O cinema tem o mesmo efeito comigo. Nem sempre sei o ano, a escola, a procedência, mas sei que me emocionou e isso basta. Dificilmente assisto a um filme no cinema e me decepciono. Basta ler a “bula” e saberemos se a “rolha” é de borracha ou de cortiça.

Embora minha videoteca seja repleta de Gabrielle Salvatores, Fellini, Bertolucci, Luc Besson, Godard, Almodovar… Tem dias que tudo o que preciso é Elektra e um bom Malbec. E foi o que fiz ontem a noite.

Triste de mim se um dia, para me emocionar, tiver que esperar o Marcello Martroiani voltar a vida com uma taça de Brunello na mão.

 

Andre Comte-Sponville Junho 14, 2007

Arquivado em: Filosofia — giovannavilela @ 2:53 pm

Do livro Felicidade, desesperadamente:

“Todos os homens procuram ser felizes; isso não tem exceção… É esse o motivo das ações de todos os homens, inclusive dos que vão se enforcar. “

 

Per chi crede ancora Junho 12, 2007

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 1:16 pm

Namorar é um estado de espírito que nem todos os namorados tem. Este filminho é para celebrar aqueles que estão com quem escolheram. Para aqueles que sonham com quem amam e que ainda acreditam que uma pessoa é mais do que tantas, quando é a pessoa certa

 

Felicidade, desesperadamente Junho 11, 2007

Arquivado em: Literatura — giovannavilela @ 4:26 pm

Tenho o costume de grifar as partes que gosto de cada livro. No feriado, lendo mais um do André Comte-Sponville , reparei na quantidade de linhas sublinhadas. Deve ter sido um dos livros mais grifados por mim. Curiosamente, o título me afastou dele por muito tempo. Felicidade,desesperadamente. Embora eu soubesse da ótima qualidade da escrita desse filósofo, o toque blasé do título remetia ao mundo da auto ajuda, que honestamente, não tenho o menor interesse.

Feriado na praia. Muitos amigos e as frases acabaram se tornando assunto para reflexão. “Como você seria se fosse feliz?”. A busca da felicidade, que naquele momento, para mim era a própria felicidade, proporcionou mais um momento eternizado em minha memória.
Depois de horas entre amigos, vinhos e muitas risadas. Lá pela meia noite, olhei no relógio e ainda era 8 hs da noite. Isso sim é felicidade.

 

Carta ao meu amigo indeciso Junho 6, 2007

Arquivado em: Relacionamentos — giovannavilela @ 2:06 pm

Uma pessoa muito querida está triste hoje. Meu amigo está perdido em meio a sentimentos confusos. Dores amalgamadas em amores dispersos. Está desmotivado. Ou talvez, triste por motivos errados.

É feriado! É tempo de estar com pessoas queridas. Dar um tempo no trabalho. Pisar na areia ou curtir a montanha.

Aproveite o Corpus Christi e enterre seus mortos. Seus medos. A vida está passando.
Você vai vivê-la ou vai assisti-la passar? Vai escolher ou vai ser escolhido?
Não perca tanto tempo para ganhar de volta o SEU tempo. Inspire-se nas palavras de Drummond:

“Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”

Carlos Drummond de Andrade

Bom feriado!

 

O que é a Sorte? Junho 4, 2007

Arquivado em: filmes — giovannavilela @ 3:59 pm

Quem não desejou ter sorte na vida? Mas a sorte acompanha a felicidade? O que é a sorte? De onde ela vem? Sobreviver a um acidente onde todos morreram é ter sorte?

Para os gregos, ela era três Parcas. As três mulheres que tecem o fio da vida dos homens. Usavam a roda da Fortuna explicando as voltas que a sorte dá.

Quem leu O Príncipe de Machiavelli, deve lembrar da imagem da Fortuna, mulher que se aproxima dos homens com maior virtu (virtudes).

Mulheres lúgubres ou a bela deusa Fortuna(representada quase sempre com uma venda nos olhos), o fato é que ela é sempre imprevisível, talvez por isso, todos tenham concordado com uma coisa: ela é uma mulher. E na Itália tem até um feriado só para ela, 11 de junho. Quem sabe aqui no Brasil ela venha para ajudar os que esperam algo no dia seguinte?

Mesmo com todo o meu ceticismo, a idéia da Sorte me desperta fascínio. Sabendo dessa minha enorme curiosidade, Javier, um amigo espanhol mandou um presente: O filme “INTACTO”, do diretor Juan Carlos Fresnadillo.

Não sei se já chegou aqui, mas recomendo uma busca imediata!
Assisti ontem sem ter a menor idéia do que se tratava, e esta é a melhor preparação para este tipo de filme. Se você tiver sorte, vai encontrar, se não…