… Porque os olhos vêm o mundo. A música enxerga a alma…
Magica Agosto 27, 2007
Soprava as velinhas sonhando com a disney e logo depois o Mickey estava lá. Foi sempre assim. No mês do aniversário tudo acontecia. Quando ainda tomava mamadeira de café da manhã, acreditava que o mês do seu aniversário era mágico, jurava que as fadinhas acompanhavam seus passos e até entravam em seus sonhos.
Com o tempo desconfiou da existência das fadinhas, do Mickey e entendeu que os meses dos aniversários das pessoas não eram mágicos. Só o seu!
Alguns anos se passaram, não tantos, só o suficiente para que ela crescesse e pudesse entender o mundo como uma mulher adulta. Depois de muito estudo, muitas contas e uma tese altamente confidencial, conseguiu entender de uma vez por todas o que sempre teve medo de pensar.
Os últimos oito dias do mês de agosto são mágicos! Por isso, queridos leitores, a menina do mês de agosto anda um pouco ocupada, mas volta logo cheia se momentos mágicos para contar!
Marilena Travassos Agosto 21, 2007
De volta a floresta Agosto 21, 2007
Depois de uma passagem pelas portinhas do lado de lá (tive uma dor de cabeça que me levou ao hospital, as causas passaram por tumor, aneurisma, vírus nos nervos e acabou mesmo em nevralgia por estresse), estou de volta. Emprego novo, ânimo novo, perspectivas novas e idade nova! Logo mais continuarei a ser uma balzaquiana.
E por falar em novidades, estou me divertindo na redescoberta de detalhes que estavam esquecidos no tempo. Em meio ao tic tic das teclas de computador e barulhos de impressora, um som quase lúdico; uma maquina de escrever.
O Sr. Jurandir, empregado mais antigo do escritório ainda usa as mesmas folhas de papel carbono e acreditem, acabo de sentir aquele cheirinho de escola primária, liquid paper! Ah, sempre que ele pede para alguém enviar algum e-mail , desconfiado, liga em seguida para o destinatário, “vai saber o bichinho se perde no caminho”.
Bem-vindos ao Brasil, país das surpresas Agosto 10, 2007
Um casal de amigos italianos está planejando suas férias no Brasil, chegam semana que vem. Hoje recebi um e-mail perguntando sobre o inverno e o frio que um amigo em comum descreveu recentemente.
Minha resposta: O clima aqui funciona um pouco como a política. Todo mundo dá palpite, ninguém sabe ao certo o que vai dar e no final quem não está preparado para tudo se dá mal. Faça uma mala bem maluca com um pouco de cada coisa e nada definido, esteja preparado para dias ensolarados, noites geladas e tempestades quentes, se você conseguir acertar, por favor, escreva um manual. Ah mais uma coisa, se o seu vôo parar em outra cidade ou for cancelado, não se preocupe, isso também é muito normal por aqui.
Ateneo – Buenos Aires Agosto 9, 2007
Eu estaria deslumbrada, até chocada, não fosse a sorte de ser freqüentadora da livraria cultura e da vila em São Paulo. Indiscutivelmente, a Ateneo é a mais pomposa, elegante.
Se você vai à livraria como vai a museus, para olhar, fotografar e partir, esta é a melhor do mundo. Se, como eu, quer saber o preço de tudo, pega uma pilha gigantesca de livros para depois de muitas horas conseguir decidir o que quer, neste caso, melhor levar um carrinho de feira quando for a Buenos Aires. Não entendi bem o motivo pelo qual eles não tem nenhuma sacola, nem carrinho, nem nada que possa ajudar o cliente a carregar suas compras. Também não tem um sistema eletrônico para verificar os preços, temos que andar com os livros na mão até encontrar um dos raros vendedores que somem nos gigantescos corredores do mausoléu.
Muitas horas e gotas de suor foram gastas nessa maravilha argentina. Além de alguns livros, comprei como de costume, muitos filmes locais, já que a maioria nunca vem para o Brasil. Esperei um bom tempo na fila, o que me fez pensar e repensar sobre os livros que eu estava comprando a vista para ler a prazo, lógico que alguns ficaram pelo caminho.
De volta ao Brasil, fui direto na sacolinha de plástico pegar os filmes. Acreditam que a vendedora me deu as caixas de amostra sem os cd’s dentro? Resumindo, nada como ter uma Livraria da Vila ou Cultura por perto. Quem precisa de tetos pintados e colunas de mármores? Eu só queria os meus filmes…
Il Postino Agosto 7, 2007
Hoje durmo em ótima companhia. Comprei alguns filmes,entre eles Il Postino, que já vi umas 10 vezes. Esta é uma estranha característica que tenho. Não me canso do que gosto.
Deus e as malas Agosto 6, 2007
Viagem em família é sempre igual, me faz lembrar do Tolstoi. “As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”.
De volta ao caos aéreo brasileiro, dando graças a deus por pousar com pouco atraso, eu, meu pai, três irmãs, duas sobrinhas e mais malas do que você poderia imaginar, trabalhamos em equipe, uma cuidou das malas (não fui eu), outra das crianças, e outra foi as compra no dutty free.
Pouco tempo depois, já em casa, com o previsível final em pizza, o pânico tomou conta de mim ao dar de cara com a falta de uma única mala; a minha.
Enquanto meu pai dirigia de volta ao aeroporto, minha mente, como um banco de dados, lembrava todas as palavras propícias para uma irmã que esquece a mala no aeroporto. O carro mal tinha acabado de parar, eu já estava correndo, na direção errada. Giovanna, minha filha, o terminal é para o outro lado. Direção acertada, velocidade de urgência, chego na porta do desembarque ofegante e alguns segundos depois consigo explicar ao segurança da policia federal que minha mala está lá dentro.
-Sinto muito, dona, aqui ninguém entra.
-Mas moço, por favor, é um caso de estrema urgência, minha mala está lá dentro. Enquanto isso assistia várias malas (algumas exageradamente parecidas com a minha) saírem sem que ninguém conferisse as etiquetas.
-Seu guarda, o senhor não acha que estou me arriscando. Olha só, ninguém confere as etiquetas. Minha mala pode perfeitamente passar por aqui enquanto conversamos. Preciso da sua ajuda, vamos lá comigo, estou com a etiqueta aqui, vai levar dois minutinhos. Não posso confiar nessas pessoas, alguém pode levar minha mala.
-Olha dona, você tem que confiar em deus, se sua mala tiver que ser roubada, será aqui ou em outro lugar.
- Ah então é deus que toma conta das malas?
-Deus toma conta de tudo. Ele falou com jeito de quem costuma tomar cafezinhos na sala de estar de deus.
- E se eu não acreditar em deus? Você acredita mesmo que deus toma conta de tudo e todos?
- Ora é claro que acredito, tenho muita fé. Como é que alguém pode não acreditar?
- Então está ótimo seu guarda, o senhor que acredita, deixa deus tomando conta aqui da porta e vai lá buscar minha mala. Se ele aparecer aqui prometo chamar o senhor.
Nessas horas, quando o emprego está em jogo, a fé dá uma escapadinha e os fieis se complicam. – Não, de jeito nenhum, isso eu não posso fazer isso.
-Bom seu guarda, então o jeito será eu acreditar no seu deus e rezar para que o senhor não saia daí atrás de mim, pois eu vou buscar minha mala lá dentro…
A primeira coisa que encontrei foi minha mala, a segunda um guarda sem a menor cara de quem estava a caminho da igreja.
Ausencia Agosto 2, 2007
Habré de levantar la vasta vidaque aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanosy sin sentido,
igualesa luces en el día.
Tardes que fueron nichos de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas;
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
En qué hondonada esconderé mi almapara
que no vea tu ausencia que como un sol terrible,
sin o caso,brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.
Jorge Luis Borges




