Palavras ao vento…

causos, verdades e mentiras de uma vida repletas de palavras.

Frase para o final de semana Setembro 28, 2007

Arquivado em: Frases — giovannavilela @ 7:22 pm

Todo amor acaba, e aquilo que em tudo te atrai, uma manhã qualquer só te distrai.

O Pedro mandou no post abaixo.

 

Vai uma frase aí? Setembro 27, 2007

Arquivado em: Frases — giovannavilela @ 3:40 pm

Quem mata o tempo não é assassino, é suicida

O homem que se vende, recebe sempre mais do que vale.

A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.

Homens sáo como fogo, estinguem-se se não forem atiçados.

“Não ha fatos eternos, como não há verdades absolutas.” Nietszche

“A distancia mais longa é aquela entre a cabeça e o coração.” Thomas Merton

“O homem é o unico animal que pode permanecer, em termos amigáveis, ao lado das vítimas que pretende engolir, antes de engoli-las.” Samuel Butler

“Haja hoje para tanto ontem.” Paulo Leminski

 

O dia em que Juliano acorda Setembro 27, 2007

Arquivado em: Meu Livro — giovannavilela @ 1:26 pm

Meu livro está caminhando. Aí vai um pedacinho.

Foi quando acordei e entendi que 28 anos haviam se passado, junto com eles toda a minha história. A pessoa que, com a cabeça escondida entre as mãos, descansa numa poltrona de couro marrom, dizem, é minha namorada. Nada nela me atrai. A comida deixada sobre o criado mudo, sopa de ervilhas e torradas de alho, causam-me ainda mais mal estar.

A cabeça dói, não tenho certeza, mas acho que minhas pernas ainda estão junto com o resto do corpo estranho que chamo de meu.
Ainda não tive coragem de me olhar no espelho, tenho medo de não encontrar nada.

Não devo ter sonhado, pois nem disso me lembro. Escutei agora a pouco vozes conversando sobre alguém que acordou do coma depois de um ano. Pode ser que essa pessoa seja aquela que me espera no espelho.

Algo como o mar e um perfume de flores, jasmim , vem a minha mente e trás um pouco do que parece e deve ser prazer, se é que uma pessoa em minhas condições ainda sabe o que é isso.

 

Zorro Setembro 25, 2007

Arquivado em: Cinema, filmes — giovannavilela @ 2:20 am
 

Começar é preciso Setembro 24, 2007

Arquivado em: Literatura — giovannavilela @ 7:19 pm

Começar é bom. Perigoso, mas preciso. Alguns começos duram mais do que até o final.

Melville começa Moddy Dick com poucas, mas precisas palavras:
“Call me Ishmael” – Em apenas 3 palavras desperta a curiosidade e mistério que acompanha o misterioso narrador-personagem até o fim do livro.

“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua própria maneira” – Leon Tolstoi resume sua obra prima, Ana Karenina.

“Hoje, minha mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentimos pêsames. ‘ Isso não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem.” – Camus, intrigantemente frio.

“Quando certa manhã Gregor Sansa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso” – Kafka que condensa o assunto de todo o livro em apenas uma frase.

“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes…” – Pouquíssimas palavras formam uma imagem perfeita. Graciliano Ramos em Vidas Secas.

Oscar Wilde costumava dizer que só os tolos não se deixam guiar pela primeira impressão. O que vocês acham? Quais os começos mais te marcaram?

 

Vamos dançar? Setembro 22, 2007

Arquivado em: Musica e Dança — giovannavilela @ 6:54 pm

 

A Gata e o Mar Setembro 22, 2007

Arquivado em: cronicas — giovannavilela @ 4:45 pm

O barulho das minhas unhas arranhando o chão de pedras era o único silencio audível àquela hora da noite. Ou já seria dia? Não quis olhar para trás, mas sabia que a lua já não estava mais lá.

Antes de entrar nessa história vamos esclarecer uma coisa. Todos nós temos sete chances para aprender a não cair, mas só aprende a levantar quem usa pelo menos uma. Foi o que fiz.

Acordei das duas horas diárias em que separo para sonhar e fui ver o mar do alto da pedra que os outros chamam de Gávea. Esse costume de olhar meus medos do alto me acompanha desde o primeiro dia em que o vi de frente pela primeira vez. Ele, o Medo, apareceu vestido de homem, trazia leite numa mão e uma coleira na outra. Mas eu ainda não sabia o que era uma coleira. Aproximei-me, tomei o leite e aceitei o presente.
No dia seguinte, acordei e ele ainda estava lá. Tentei voltar para a rua de pedras, mas não saí do lugar. Meu corpo não obedecia minha mente e foi então que entendi. O leite… O presente…
Lutei, mas ele era mais forte, mas não mais ágil e foi aí que tudo começou. Ele trancou as portas e eu não podia sair. Trazia leite, sushi e me contava estórias. De vez em quando pegava uma prancha e subia em ondas. Eu via tudo da janela, mas tinha medo de cair, de me afogar, de não saber nadar, por isso voltava correndo para meu lugar seguro.

Olhava para ele lá embaixo e sabia que era meu. Mas espera aí. Se eu penso isso daqui de cima, ele pensa isso lá de baixo. Senti meus pelos arrepiados. Eu, ser dele? Olhei ao meu redor. Coisas. Olhei para baixo. Uma imensidão de liberdade. Ondas. Vento. Pedras. Os pensamentos me deixaram tonta e quando vi já estava caindo.
Mas eu sou uma gata. Gatos não caem. Pulam. E foi então que descobri. Eu podia voar. Saí correndo, pulando sobre as casas. Entendi porque ele queria cortar minhas unhas quando escalei a pedra mais alta e pude então ir mais longe do que jamais imaginou um gato. Abri os olhos e fui em direção do mar. No começo tive medo, afinal nós não deveríamos saber nadar, mas depois mergulhei. Abri os olhos lá embaixo e descobri outro mundo, tão lindo quando a floresta onde nasci. Eu já não lembrava mais do Medo quando senti novamente aquelas mãos me puxando. Mas aí já era tarde. Eu já havia tomado e gostado do seu próprio veneno.

Mergulhei mais fundo e saí da água. Ele veio junto e subiu comigo na pedra. Dessa vez eu fui mais alto. Olhei para trás e vi a cidade se transformar em memória. Quando em fim já não podia distinguir quem era gente e quem era pedra, olhei de novo para ele. Lembrei do leite, da coleira e da janela.
Ele estendeu a mão e eu pulei sobre ele. Caímos os dois. Por muito tempo me senti caindo e o vi voar.
Mas antes de chegar ao chão, meus instintos gritaram. Soltei-me e caí sozinha, de pé. Gastei a primeira vida, mas ganhei outras seis. Ele? Não sei. Não gosto mais de leite e quanto ao peixe, agora eu já sei nadar.

Escute a música desse post!

 

Periquitos Setembro 20, 2007

Arquivado em: cronicas — giovannavilela @ 6:16 pm

Sabe o sonho que todos têm de acordar com o canto dos pássaros? Eu não tenho mais.
Tinha, mas agora os pássaros não me deixam mais sonhar (dizem que a maioria dos sonhos dura pouco mais de três minutos e acontece um pouco antes de acordarmos, como os sonhos sabem que acordarei a seguir eu também não sei).
Já contei aqui do meu jardim suspenso, a varanda onde guardo minhas orquídeas, jasmim, damas da noite e agora… Periquitos. Não, eu não me mudei para a Amazônia, continuo aqui na selva de pedras mesmo, mas pelo visto os periquitos sim.
Acordamos, eu e os bichinhos verdes, todos os dias as 6 30. Não preciso mais despertador, que por coincidência também é verde. Meus amigos vêm todos os dias tomar café da manha na varanda do meu quarto.
Isso já vem acontecendo com alguma freqüência. Só decidi me expressar agora porque no começo achei que poderia ser um pouco pretensioso reclamar dos pássaros enquanto as pessoas têm tantas outras coisas para se preocupar. Além do mais, quem se incomodaria em ter um despertador natural todos os dias, incluindo finais de semana, quando meus adorados vizinhos jogam tênis até tarde, gritando como se esta fosse a única coisa que lhes dá tamanho prazer (desconfio que este seja ), as 6:30 da matina!
Mas hoje resolvi que vou mandar uma multa para eles, esses bichinhos danados que têm a cara de pau de se divertir bem aqui ao lado. Vou pedir ao síndico que me ajude. Acabo de receber uma multa (bem altinha, diga-se de passagem) por “fazer algazarra e emitir sons em demasia numa festividade, sábado”.
Devo ressaltar que mesmo no domingo seguinte a tal “algazarra”, os periquitos tentaram me acordar no horário de sempre, por sorte, na ocasião, ao invés de me tirarem dos sonhos, foram colocados dentro deles.
Voltando à multa, essa decisão está baseada no estatuto do prédio. Aqui ninguém pode se divertir ou fazer barulho, só os periquitos verdes e os tenistas branquelos. Festa, só se for sem música , sem algazarra e nada de risadas ou saltos altos. Ah um detalhe, me falou o síndico, também não é permitido usar muitas vezes o elevador, pois faz barulho e os tenistas e os periquitos devem descansar de noite.

 

Com quantas pessoas se dança tango? Setembro 15, 2007

Arquivado em: Musica e Dança — giovannavilela @ 4:43 am

para assistir 27 vezes

 

Quer saber? Vai entender… Setembro 14, 2007

Arquivado em: Literatura — giovannavilela @ 6:35 pm


Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

(Clarice Lispector)

 

Quebrando o protocolo Setembro 11, 2007

Arquivado em: Futilidades Úteis — giovannavilela @ 10:32 pm

Algumas gotas avermelhadas manchavam a toalha impecavelmente colocada sobre o prato de porcines grelhados com pinolis e azeite truffado. Vieiras, camarões e lagostins faziam a abertura do show até a chegada do Caballo Loco numero 4.
Deste lado,cheia de falta de luxo, usando havaianas e roupa de quem chegava da praia, eu olhava para aquela orgia gastronômica e pensava em todas as ambigüidades que fazem o que já é bom ainda mais especial.

Este é o caso do Caballo Loco (o vinho, não o Renam ou outro maluco qualquer). Os vinhos normalmente trazem o ano, a safra em que foram produzidos. O Caballo Loco não. Seu proprietário, Jorge Coderch já tinha tudo, mas ainda não tinha o poder de quebrar o protocolo até o dia em que decidiu fazer jus à seu apelido e melhorar o que diziam, já estava bom. Este vinho é especial por muitos motivos, um deles é o fato de a cada safra ser enriquecido com uma fração do ano anterior, aperfeiçoando uma “assemblage” cada vez mais extraordinária.

Dizem os que se dizem “experts”, que este vinho tem uma cor rubi profunda, puxando para o roxo, com aromas de menta, especiarias, madeira na medida e bla bla bla… Eu digo que tomar este vinho faz com que as delicias raras se tornem uma inequívoca quebra de protocolo. Não sei se a cor, os aromas ou o buquê são de pêra, maçã ou menta, mas uma coisa garanto, poder apreciar o melhor sem ter que seguir protocolos e pessoas faz sentir o que é um Caballo Loco.

Mais uma vez tenho a certeza de que conhecer boas coisas não é o suficiente para aproveitá-las. Bom mesmo é saber o que é bom sem se esquecer que o que importa é gostar e não seguir. Cavalo que corre bem, corre na frente, seja no grande premio ou no mato a caminho do rio, sem sela nem freio…

 

Um pouco de entretenimento antes de dormir… Setembro 4, 2007

Arquivado em: filmes — giovannavilela @ 4:31 am

Filmes inteligentes, intensos, artísticos são muito bons. Filmes americanos com carros explodindo, homens pulando dos telhados e heróis de carne e osso são tão bons quanto, basta escolher o momento certo. James Bourne é um daqueles personagens totalmente improváveis, mas tão interessante que nos faz esquecer que humanos são de carne e osso e ocasionalmente se machucam ao cair de prédios e capotar o carro. Minha parte criança vai dormir contente, valeu a pena ter saído de casa segunda-feira, espero que a parte adulta acorde com a energia do Bourne para trabalhar.

 

O síndico Setembro 3, 2007

Arquivado em: cronicas — giovannavilela @ 4:08 am

Parado diante da porta, como no ano passado e nos últimos quatro que se lembrava, o síndico escolhia as palavras como quem escolhe as armas de um crime perfeito. A música estava alta, mas ao contrário do que diziam os outros vizinhos, era plenamente suportável. O sorriso de uma convidada e uma taça de vinho na entrada da festa arrancou do rosto a expressão séria preparada no espelho do elevador. A cada degrau que subia repensava alguma das reclamações. Pensou nas últimas festas em que esteve. Mais silêncio, menos bebidas, muitos casais, mulheres conversando de um lado, homens de outro. Nisso a Dona Marlene do 22 tinha razão, as festas na cobertura eram coisa de outro mundo e nunca tinham hora para acabar. Pensou nas crianças do prédio que deveriam estar tentando dormir, coitadas logo estariam acordadas gritando no playground do prédio. Pensando melhor, dormir até mais tarde domingo não faria mal nenhum. Pegou outra taça e já estava no meio da pista de dança, procurando a dona da festa quando sentiu o celular vibrando no bolso. Era sua mulher, queria saber quanto tempo demoraria até acabar aquela bandalheira. Recuperou a expressão austera e prometeu resolver o problema o quanto antes. Algumas taças depois viu a dona da festa dançando do outro lado da pista. Ela acenou sorrindo como quem cumprimenta um amigo. Ele tentou falar, mas a musica estava muito alta. Foram para o lado de fora onde o síndico pode finalmente despejar suas reclamações. A musica estava muito alta, as pessoas estavam rindo e falando demais… Sim, concordo com você, mas isso é uma festa, se toda essa loucura, como você diz não estivesse acontecendo, minha festa seria um fracasso. A medida que ela falava, foi sentindo o efeito do vinho. Você me desculpe, sei que é seu aniversário, mas infelizmente temos que chegar a um acordo, pois os moradores estão reclamando, e… E você está gostosa hein. As palavras escaparam da sua boca e por um minuto fez sumir a música e todas as pessoas. Todo o significado da palavra vergonha coube nos dois minutos em que ela ficou muda olhando o vazio enquanto ele voltava para casa com a certeza de que neste ano nem a festa acabaria cedo e nem um crime seria jamais perfeito.