Palavras ao vento…

causos, verdades e mentiras de uma vida repletas de palavras.

Um Caso De Amor Com Cuba Fevereiro 26, 2008

Arquivado em: Relacionamentos, Viagens — giovannavilela @ 12:35 pm

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Enquanto escrevia sobre as dicas de relacionamentos, fui tomada por uma nostalgia cubana e obrigada a interromper os posts de dicas para pensar no meu caso de amor cubano, afinal quem disse que essas coisas tem regras ou lógica: Bom, eu me apaixonei pela cidade e voces vao entender porque…

Não há explicação para casos de amor. Conheci certa vez num asilo, enquanto fazia pesquisa para meu livro, um senhor de mais ou menos 80 anos. Jonas era seu nome, dizia ter passado a vida toda apaixonado pela mesma mulher, passou boa parte da tarde em que estive lá descrevendo Julieta, que viraria Beatriz em meu livro.

A julgar por suas palavras era uma deusa da pele de pêssego e toque de anjo. Que homem apaixonado,pensei, tocava piano e sobre a sombra do chapéu de panamá era possível ver a leveza de seus dedos contradizendo a pele manchada de tanta vida.Eu já supria um pouco daquele sentimento que costumo chamar de inveja boa, quando uma mulher turrona entrou na sala. Parecia ser alguns anos mais jovem que meu novo amigo antigo, mas diferente dele, tinha um olhar gelado, puro, mas frio. Os olhos verdes e os traços delicados deixavam escapar sinais de beleza na juventude. O ritmo dos acordes acelerou um pouco destoando da melodia, seria imperceptível, não fossem meus anos de aula de piano.

Acreditei por um instante ver um adolescente sentado ao piano tentando impressionar a mocinha que passava na sala. – Para com isso Jonas, o Arlindo está descansando. E com essas palavras entendi meio século de um amor platônico como o de Florentino Ariza por Fermina Daza , abrindo um parênteses, soube que o filme O Amor Nos Tempos Do Colera era decepcionante, não tive coragem de contaminar minha admiração por Gabo e continuo com o livro na minhacabeceira,continuando, o Florentino da vida real tirou lentamente as mãos do piano e pousou sobre pernas tremulas e cansadas de uma espera que já durava meio século.

Contei tudo isso, pois foi a imagem que me veio em mente ao pensar no povo de Cuba. São velhos românticos que guardam a imagem de um idealista e jovem afoitos, loucos para ver a imagem de Fidel numa lápide do cemitério Cristovão Colombo.

Havana me lembra uma linda mulher, uma diva dos anos 50 que sofreu muito nas mãos de galãs americanos, viveu com seu amante espanhol coberta de ouro e luxo, mas foi com o guerrilheiro maltrapilho que seu coração decidiu se aventurar em mares e selvas sem limites para sonhar, até o dia em que um russo apareceu em sua vida e ameaçou o amor entre os dois, semeou discórdia e pouco a pouco transformou os sonhos e ideais em passado, que durou tanto a ponto de meio século depois o presente ainda estar ali, parado no tempo como na época em que ela sabia o significado da palavra escolha. 

A beleza da juventude se foi e deixou lugar à decadência e nostalgia. Seu romantismo não permitiu que abandonasse a escolha da juventude, mas os anos lhe deram a certeza de que já era tarde para mudar. Quem sabe a nova geração, quem sabe suas filhas, suas netas, quem sabe os farrapos voltariam a ser roupas reais e os tijolos voltariam a se esconder detrás das imponentes paredes do casarão algum dia, quem sabe…Como numa história de amor, é preciso lágrimas, encontros e desencontros e a chance da transformação para que valha a pena ser relembrada e amada. Talvez eu tenha sido vítima de um romantismo passageiro em Cuba, talvez tenha me perdido num tempo que não volta mais, quem sabe… 

 

Dicas dos homens para as mulheres II Fevereiro 25, 2008

Arquivado em: Relacionamentos — giovannavilela @ 2:59 am

Mesa de restaurante. Almoço de domingo entre amigos e taças de vinho. Se o cenário parece familiar, acertou. Como em tantos outros, este foi mais um dia de muita terapia de mesa de bar. Não sei se acontece com você também, mas nessas ocasiões tenho a impressão de que se todos soubessem sobre relacionamentos tanto quanto palpitam, o mundo seria pura paz e amor.

O assunto em pauta hoje era a independência feminina, ou melhor, os problemas que está causando aos pobres homens. Eles, os homens ressentidos reclamavam e tinham até lista de como devemos agir. A Gloria Kalil que se cuide, pois logo o Ernesto vai publicar a sua versão de como a mulher deve agir, adianto que mulher  nessa mesa deveria gostar de homem BM (baita macho) e pelo que entendi isso significa entre outras coisas, palitar os dentes depois de comer.

Voltando ao almoterapia, enquanto eu comia o sexto churros, acreditam que eu nunca tinha comido churros? (Viu Cordeiro, experimentei algo novo e não tive que me enfiar entre tubarões brancos famintos). Escutava os terapeutas darem uma aula de relacionamentos. – Vocês assustam os homens, fazem tudo sozinhas, trabalham, viajam, moram sozinha…

Pensando nisso e concordando com os pedidos, decidi postar as dicas dos meninos. Fiz isso a pouco mais de um ano em meu antigo blog, confiram aqui, e por incrível que pareça, pelo menos pra mim, o blog teve 3 vezes mais visitas do que o dia mais visitado, nada de filosofia, política, literatura, o que a maioria gosta mesmo e de dar palpite em relacionamento alheio.

Depois será nossa vez de dar as dicas.

As dicas do Rodra Shark Hunter:

Nunca confie numa mulher que não molha o cabelo e não bebe!

João Pedro:Mulheres, não inventem namoro para suprir sua carência, namore só se estiver apaixonada. Mulher tem que beber, pelo menos um pouco para acompanhar. Cultura e inteligência contam pontos.

Estas são as primeiras, amanhã, segunda feira quando eu tiver um tempinho vou editar os e-mails que recebi e postar aqui.

Quem quiser mandar sua dica, vai com tudo: giovannavilela@hotmail.com

 

Geração “Ficar” Fevereiro 22, 2008

Arquivado em: Relacionamentos — giovannavilela @ 9:38 pm

Sexta feira chegou e junto a hora da liberdade fabricada. Hoje é o dia nacional de beijar na boca, encher a cara e cantar de peito estufado “Eu sou de ninguém, sou de todo mundo e todo mundo é meu também”.

E se pintar um sentimento mais forte deixa pra lá, afinal vai perder a festa de sábado e ficar em casa namorando, isso é coisa do passado.Hoje em dia todo mundo quer ser de ninguém mas não abre mão de ter alguém que é só seu, assim nas horas de fraquesa – porque afinal só mesmo fraquesa é motivo para dormir de conchinha muitos dias com a mesma pessoa – nessa hora pega o celular, pede uma pizza e um pouco de cafuné para quem quer ser só seu.

No dia seguinte tudo volta ao normal e o outro volta a se sentir mal.Ficar virou banal , legal é enrolar, se divertir. Mandar flores virou coisa de Tyrso, esse bobo que se apaixonou de verdade e queria ficar junto falar coisas bonitas e cuidar da mulher amada, tem coisa mais cafona?

O amor saiu de moda. O Hype agora é ser livre, freqüentar varias festas e vários amigos, sair em turma, não fazer planos a dois e rir dos casais que vão se casar, afinal como ensinaram os pais separados, filhos da geração repressão, casamento não da certo, devemos abrir as amarras, viver cada uma na sua casa, onde já se viu misturar problemas? Vamos aproveitar e ficar, não com uma, mas com algumas ao mesmo tempo, assim quando alguma mulher estiver mais chata é só ligar para outra.

Mas isso vai passar, um dia a mulher certa vai fazer com que finalmente aconteça o namoro, vai esperando uma magica! Namorar, essa palavra que já virou poesia nas mãos de Vinícius hoje virou algema.

Quem quer ser cobrado se a caso resolver viajar por um tempo e não avisar? Somos livres, somos nômades, auto-suficientes,certo? Cada um com seus problemas suas duvidas pois quem é forte não ama, fica..O problema é que essa geração ficar não conhece a delicia de dormir de conchinha, rolar na cama enquanto o jantar a dois espera na sala, não sabem o que é nadar pelado numa cachoeira e se esconder do guarda florestal, não conhecem a adrenalina do amor compartilhado, não sabem que amar é ser livre e namorar não é algema mas alegria e coragem.

Se viver as coisas boas da vida  sozinho já é bom, imagina compartilhar. Não tudo, afinal transformar dois “eu’s” num só “nós” o tempo todo pode sim ser perigoso, mas se você é esperto o suficiente para escolher a pessoa certa vai ser esperto também de não banalizar isso,certo? Quem sabe um dia a palavra namoro volte a ser poesia, quem sabe esse discurso de liberdade se afogue nos vários copos de vodka com energético para reaparecer num gole de vinho, porque não há nada que se aprenda sem antes treinar e namorar exige muito treino.

 

Dhalia e a caneta Bic Fevereiro 22, 2008

Arquivado em: Meu Livro — giovannavilela @ 4:04 pm

Um pouquinho da Dahlia, personagem do meu livro para vocês    Acabara de assinar o contrato de seu novo apartamento. Era real, aquela caneta bic assinou seu sonho com sangue azul. O logradouro ficava numa rua tranqüila do Itaim. Poderia pedalar até a Yoga e o trabalho, não na sua Caloi-Ceci cor de rosa, que depois de anos recebeu aposentadoria e transformou-se em escultura retrô na sala de estar.Dhalia era uma mulher entre tantas, poderia se chamar Renata, Roberta ou Juliana, mas uma coisa a diferenciava de outras, o gosto pelo passado que, segundo ela, durava mais, podia ser eterno como as canetas bic, os cinzeiros de elevador, as garrafas de vinho do Porto e suas fotos PB.  Ela não usava câmera digital. Continuava seu trabalho como o fazia há mais de quinze anos, comprava o filme do Sr. Giuseppe e passava dias fechada no silêncio vermelho de seu laboratório.A dança e a fotografia eram seu marido e seu amante, chegavam a brigar entre si para ter sua atenção e muitas vezes perdiam ao encontrar em algum rolo de filme guardado lembranças de uma viagem, um amor de verão que durou mais do que o esperado e agora se revelava novamente por trás de um por do sol cinza.Com o contrato na mão, sorriu para si, para sua liberdade, para o futuro tocando Debussy sozinha enquanto olhava a lua. Sozinha, nunca solitária. Pegou o celular para contar a ele e viu que a as teclas não estavam funcionando ou ela ainda não havia se acostumado ao novo modelo, são tantos, cada dia mais novos, com mais aplicativos que ela nunca aprendia a usar e quando aprendia logo aparecia um novo modelo e o ultimo virava passado. Foi assim também com a televisão e o computador. Esse mundo moderno a assustava. Ela não queria ver seus livros redusidos a CDs, o que seria do cheiro das paginas antigas do “Amor nos tempos do Colera” comprado na Ateneo de Buenos Aires? Tantos homens tentaram convencê-la a ser também como a tecnologia, mutante, inovadora e descartável, mas Dahlia era como sua Leica, as vezes pesava um pouco, era contraditória e fria, parecia impenetrável, mas por dentro tinha doçura, ainda que defendesse com uma revolta ácida e as vezes feroz, guardava sua doçura genuína conhecida por poucos, detrás de muitas portas e varias chaves.Estava atrasada para deixar o que passou para trás, as memórias iriam para os álbuns e seus passos para frente. Guardou os papéis na pasta, olhou de novo a vista da nove de julho e da sua cidade. Caminhou até a porta sem olhar para trás e entrou no elevador.   

 

Adeus Fidel Fevereiro 19, 2008

Arquivado em: Política — giovannavilela @ 8:00 pm
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           “A história me absolverá”, disse Fidel.
           Tive o privilegio de conhecer Cuba durante os últimos dias do governo que durou quase 50 anos. Fidel e sua guerrilha certamente ficarão para história, resta saber se como salvador ou carrasco de seu povo.
 

Havana, a cidade onde o tempo parou… Fevereiro 14, 2008

Arquivado em: Dicas e Viagens, Viagens — giovannavilela @ 6:30 pm
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Andava sem pressa entre cubanos incógnitos, ingênuos… A intenção era me perder entre os mausoléus neoclassicos e os carros imponentes de uma época em que haviam cavalheiros acompanhados de seus charutos e muita pompa a caminho da casa de sua dama. Sim, nessa cidade haviam damas do dia e da noite. Raios de uma luz limpa e delicada formam linhas douradas e escapam entre as copas das árvores trazendo ao presente um pouco da atmosfera bucólica de outros dias, outras épocas.
Mulheres vestidas com roupas de domingo, flores  e cores nas roupas, lenço dos cabelos parecem ignorar a tristeza de ser prisioneira dentro de seu próprio país. Sorrisos reais desafiam a pobresa, a repressão. O motorista de um cadilac vermelho conversível dos anos 50 passa por mim e asim como todos os outros carros da Ilha, oferece os serviços de taxi. Meus pés sentem os 10 Km não tanto como meus olhos. Já atravessei o Malecon e depois de ver o imponente Hotel Nacional é hora de conhecer Havana Vieja.
No caminho, perto do museu da revolução cubana onde Fidel narra seu conto de fadas ilustrado com fardas, listas de desapropriações, Che Guevarra de cera e um canto dos Imbecis com caricaturas de Bush, Reagen e Battista, vejo a luta do dia a dia. Crianças acompanham as mães na fila de uma instituição pública, como todas em Cuba, proibidas para nós, turistas, enquanto assistem em silêncio o sorteve passar nas mãos de quem pode comprar o peso convetible, a moeda cubana usada por nós, seres de outro planeta. Mais a frente está o Hotel de Sevilha guarda a imponencia e charme dos Mouros, azulejos pintados a mão e janelas em arco contam um pouco da história dos colonizadores.
Hemingway era socialista fervoroso, conhecedor e admirador de homens como Karl Max, Lenin e outros da sua época, escolheu Havana como lar e o povo daqui o escolheu como ídolo, o que não deixa de ser curioso já que nenhum ódio é tão visivel como o dos cubanos pelos americanos, até uma brasileira como eu teve que pagar 20% de todos os dólares que trocou por conta desse ódio, isso que dá comprar dolar e não euro. Mas voltando ao Hemingway, sua assinatura está na maior parte dos bares, no mohito do Bodeguita del Medio (delicioso), no daiquiri do Florentita e em outros cantos boêmios desta cidade parada no tempo.
E já que meus pés haviam trabalhado todo o dia nada mais justo do que um descanço. Na cobertura do Hotel Zaratonga, de onde a cúpula do capitólio faz sombra as ruas idílicas e a cidade parece um cartão postal sem as mazelas da realidade, tomo mais um mohito e fumo finalmente o charuto cohiba comprado de Angelito, mais um trabalhador do sistema comunista que recebe o salario ”justo” no emprego da fabrica de charutos Partagas e vende por fora para ganhar o salário real dos cubanos.
Os útimos raios de sol cobrem a cidade dos irmãos Castro enquanto nós ouvimos mais um genio cubano tocar e cantar o jazz que só quem nasce aqui sabe fazer. Viva Cuba!

 

Fevereiro 1, 2008

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 2:15 pm

poster_10591.jpgÉ uma ilha tão grande que depois de descoberta, Colombo ficou na dúvida se era mesmo ilha ou parte do Continente. Os italianos além de dedcobrirem ainda inventaram o primeiro telefone nessa ilha. Isso mesmo, o escocês radicado nos EUA ainda aprendia a engatinhar enquanto Antonio Meucci fazia a primeira ligação telefônica, em 1849.

Foi também palco de Che e da revolução que carrega até hoje a figura amada e odiada de Fidel. Coca colla, MC Donnald´s e qualquer outra referencia americana são palavras proibidas nessa terra onde o sexo e as festas são preferencia nacional.

Em breve serei também eu testemunha desta terra decadente e surpreendente. Hoje começo a preparar minha malas para Havana… Em breve espero mandar noticias e fotos das peripécias de Fidel.

Bom carnaval a todos