Olhando de longe ele parece muito grande e diferente. Cheguei mais perto, fiquei a poucos metros do palco e vi que ele não é muito grande, é enorme e sua presença no palco maior ainda. As marcas no rosto negro vão sumindo com o tempo a medida que seu carisma toma conta de todos. Depois de algumas musicas entramos em seu mundo e tudo fica de novo normal, we’re never gonna survive unless…
We get a little crazy.Seal certamente não é o tipo de pessoa que passaria despercebido ainda que não fosse o Seal. O show , cheio de músicas linda teria sido incrível não fossem as conversas, risadas, barulhos de gente comendo e acreditem, até barulho de gelo caindo no copo. Eu não tenho um ouvido biônico, mas certamente o técnico de som, trazido por ele, deve ter ou ser muito sensível ao vozeirão do Nigeriano neto de brasileiros pois colocou o volume da voz tão baixa e abafada que não era possível entender as letras.
E já que não dava para dançar o jeito foi invadir a privacidade alheia e penetrar nas vidas incógnitas de pessoas que pagam até R$500,00 para assistir ao show. Na minha frente tinha uma mulher com pogo-bol, quem tem mais de 28 sabe o que é isso, como ela deveria ter mais de 38 deve saber também. Na verdade não vi o pogo-bol, mas assumi que esta seria a primeira opção para tantos pulos e gritinhos, a segunda seria a de uma ocasião única na vida da mulher casada com marido careta que só pensa em trabalho e o programa mais animado que fizeram foi jogar tranca e se embebedar na casa de outro casal na Baronesa no aniversario da vovozinha de um deles.Ao lado da mulher ioiô estava um casal digamos assim exótico. O homem com mais de 60 velinhas no último bolo de aniversário cantava as letras no que imaginava ser um ouvido escondido por trás de uma peruca loira de mais ou menos 70cm (contei 6 palmos), o rosto da donzela deveria ter sido um dia humano, haviam traços de uma mulher debaixo de todas as substâncias colocadas na face. “In a heaven of people there’s only some want to fly, Ain’t that crazy?”
O show acabou meio assim como quem não sabe se vai ou fica e de repente foi. Sem um “Eu te amo Brasil” ou “Em minhas veias corre sangue brasileiro” ou qualquer outra frase típica de final de show, foi apenas um fim inesperado e baixo como todo o resto. Valeu a pena? Ainda que fosse só para vê-lo de perto cantando na tecla mute eu teria ido, talvez não tivesse convencido tantas amigas, mas teria ido…