Palavras ao vento…

causos, verdades e mentiras de uma vida repletas de palavras.

Isabela Nardoni Abril 28, 2008

Arquivado em: A vida como ela é — giovannavilela @ 6:54 pm

Gostaria muito que todas as pessoas fossem boas. Que não existissem assassinos, ladrões, e outros “frutos podres”. Mas eles existem e vão continuar existindo, porque nós somos feitos assim, somos diferentes um dos outros e o ser humano, mais ainda do que qualquer outro animal sabe ser ruim impiedoso e sem escrúpulos, é exatamente por isso que não agüento mais ouvir falar do caso da menina Isabela. Porque acho que os jornalistas também podem escolher outro assunto, porque já imaginamos o desfecho desta história, que ao contrário do que parece é muito comum. Onde já se viu fechar o espaço aéreo para fazer uma reconstituição? E porque o Brasil todo deve ver aquela boneca pendurada na janela?

Trágico é ver um pai, provável assassino, contratado e pago pela Globo para falar (ou melhor calar) sobre o crime. Deprimente é ver a curiosidade mórbida de linchadores que deixam de trabalhar ou de levar os filhos à escola para fazer plantão na porta da casa de estranhos ou na delegacia.

“Todas as famílias felizes se parecem, mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira” – Estas são as primeiras palavras de Anna Karenina, escrita por Tolstoi no sec. XVIII, mas bem poderia ser o começo da estória de Isabella.

 

O meu impossível – Florbela Espanca Abril 25, 2008

Arquivado em: Literatura — giovannavilela @ 3:30 pm

Para minha querida amiga portuguesa,Joana

 

Minh’alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!

Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!…

Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!… Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto…

Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!…

 

Aprendendo a viver Abril 23, 2008

Arquivado em: Dicas Culturais, Divagando — giovannavilela @ 2:26 pm

Publicado no www.lolitabrasilmagazine.com.br

 

Semana passada fui aprender a viver com a Gloria Menezes, não sabia que ela dava aula disso? Pois dá, no teatro da FAAP. Aprendi um pouco mais da arte da vida e da falta dela. Começou logo na entrada. Não entendo nosso mundo, devo ter ficado de recuperação na aula de “para que serve”, a porta da FAAP tem aquele sensor  anti-armas-metais-facas-cintos de peruas-etc  para nossos civilizados ladrões passarem e ouvirem o apitinho, logo ao lado porém, tem uma porta sem sensor nenhum para o resto dos cidadãos.

Passei sem maiores apitos e fui direto ao café do teatro em busca de alguma coisa que combinasse com minha difícil realidade de procurar por alimentos digestíveis e reconhecíveis. Opa, sanduíche natural, li no cardápio, ensaiei um sorriso e já ia pedir quando lembrei do último brigadeiro que cruzou meu caminho.  Vocês já repararam que as comidas estão ficando fashion? Pois é, um dia desses vi um brigadeiro vermelho com pó de ouro, não comi com medo de ver o ouro descarga abaixo.

Com medo de mais surpresas já que eu estava prestes a aprender a viver, perguntei o que tinha no sanduíche natural, assim quem sabe eu poderia tirar algum pó de ouro inesperado. – Ah não, o sanduíche já vem pronto, embalado, ta aqui ó, pode ler aí os ingredientes, disse  Naná ,vi seu nome no crachá.

Peguei a caixa de plástico transparente com o que parecia ser um daqueles sanduíches de borracha que colocam nos bares dos aeroportos para ajudar os gringos a entender o que é salame, peru, ou alface.  Dei uma rápida olhada ao redor e voltei os olhos para a embalagem: era algo como, pão de forma branco, gordura vegetal ionizada, salame, mayonese,etc..

Não agüentei, devolvi o sanduíche e fui correndo para o banheiro, peguei o celular e entrei na internet, dicionário!

do Lat. Natural eadj. 2 gén., relativo ou pertencente à Natureza;produzido pela Natureza ou conforme as leis da Natureza;não provocado pelo homem, espontâneo;ingénito;peculiar;inato.

 

Voltei ao balcão e vi quando a Naná veio sorrindo enquanto pensava Ah essa gente estranha que aparece  aqui, não sabe nem o que é sanduíche natural, coitada, será que vai me perguntar também o que é pão de queijo…-Posso te ajudar?

Pedi um pão de queijo, mas minha vontade era dizer a ela que aquilo não era sanduíche natural, que Naná não era nome e sim apelido, que sensor anti-roubo com porta ao lado não era sensor, que x-burguer sem queijo” não era cheeseburger, que pai que joga a filha da janela não é pai, que representantes do povo que roubam não são representantes de povo nenhum, e que o mundo estava do lado do avesso e eu não estava conseguindo entender.

O sino do inicio da peça tocou e dois minutos depois já havia passado as quase duas horas de peça e de aula. Maud me ensinou muito do que eu não estava entendendo, por exemplo que em todas as portas passavam ladrões mas que os piores são aqueles que roubam o que não tem preço e o que não tem sensor, aprendi também que natural para um não é natural para outro mas que a natureza deveria ser a mesma para todos. Ensinar a viver não é tão difícil, duro mesmo é aprender a viver.

 

Querido Lula Abril 22, 2008

Arquivado em: Política — giovannavilela @ 2:05 pm

Lula é 6º líder mais popular
da América, diz pesquisa.

Bem, o meu querido Fidel tem 95% de aprovação dos Cubanos. Pelo visto estamos no caminho. Mas será que teremos que esperar o nosso barbudinho renunciar?

 

No bar com o Papa Abril 11, 2008

Arquivado em: Mesa de bar — giovannavilela @ 6:04 pm
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Desde o dia em que abriu a gigantesca porta desenhada pelo arquiteto português Bruno Guedes, o bar do outro português, o incansável João Pedro não teve descanso, vive lotado de amantes do verdadeiro dry Martini e de amantes dos amantes e por aí vai.

Quando eu era menina ouvia meus pais, mineiros e muito desconfiados, dizerem para eu ficar longe dos bares, lugares com pouca luz, muita bebida e pessoas esquisitas. Fui crescendo com aquilo na cabeça embora a parte das “pessoas esquisitas” nunca tenha ficado totalmente clara. Como até os 21 anos eu não bebia uma gota de álcool sentia-me totalmente normal e por isso fora do mundo dos esquisitos.

Com o tempo fui criando um bar imaginário e colocava dentro as pessoas que eu sabia freqüentar esse lugar sombrio e perigoso, Vinicios de Moraes, Hemingway,Andy Warhol, Picasso, Cazuza,Frank Sinatra … Em contra partida do outro lado, na parte mineira conservadora normal e familiar estava madre Teresa de Calcutá, o Papa, algumas tias carolas que viviam com o terço na mão, meu vizinho mal humorado que dorme todo dia as 8 da noite .

Revendo meus lugares imaginários concluí algo terrível. Os esquisitos eram bem mais divertidos. Deixei o Papa fazendo companhia para o síndico e fui dar uma olhada do lado de lá.

Hoje, alguns anos e muitos bares depois encontrei o bar da minha imaginação, aquele um pouco sombrio, sedutor, cheio de pessoas interessantes e muito difícil de sair. É verdade que algumas coisas eu não havia previsto, por exemplo, que além de boêmios, as mesas com desenhos de artistas podiam ter também esportistas e gourmets.

Se a caso você estiver passando pela Rua Tietê na esquina com a Padre João Manuel e sentir uma vontade irresistível de saber o que está por trás daquela porta gigantesca, não se preocupe, o Papa não se importaria em dar uma olhadinha.

 

Fotos by Giovanna Abril 7, 2008

Arquivado em: Arte — giovannavilela @ 8:20 pm

Gostaria de convida-los a conhecer mais uma vertente do meu trabalho, minhas fotos, aqui.

Leiam também minha coluna no mesmo site.