Palavras ao vento…

causos, verdades e mentiras de uma vida repletas de palavras.

Presente de um blog amigo Agosto 13, 2008

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 5:11 pm

FLORAIS

 

Era botânico graduado,

mestrado e pós-doutorado.

Tinha a jardinagem por hobby.

 

Ganhava bem o suficiente

para trabalhar pouco.

Dedicava-se às mulheres.

Teve muitas em sua vida.

 

A primeira delas foi Rosa,

mulher de muitos espinhos.

Com ela, comprou um apartamento

ainda na planta.

E teve um filho.

 

Depois veio Margarida,

moça da roça,

sem muita instrução,

de beleza e atitudes selvagens.

Era arisca na cama.

Gostava de morder,

tinha dentes de leão.

Não deu certo.

 

Casou-se, então, com Hortênsia.

Nela afloravam os instintos mais primitivos.

Tinha a libido à flor da pele.

No fundo, não era  flor que se cheire.

 

Jurou que Jasmim, a quarta esposa,

seria a última, a mulher de sua vida.

A semente do romance?

Algumas tulipas de chopp

numa noite qualquer,

que terminaram com

dois copos de leite

na manhã seguinte.

 

Certo dia não resistiu.

Traiu Jasmim com uma trepadeira,

cravando o ódio em seu peito.

 

Morreu sozinho,

um problema na aorta, dizem os médicos.

Não havia lírios em seu túmulo,

nem mesmo flores de plástico.

 

Pedro Monclar

 

Havana, a cidade onde o tempo parou… Fevereiro 14, 2008

Arquivado em: Dicas e Viagens, Viagens — giovannavilela @ 6:30 pm
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Andava sem pressa entre cubanos incógnitos, ingênuos… A intenção era me perder entre os mausoléus neoclassicos e os carros imponentes de uma época em que haviam cavalheiros acompanhados de seus charutos e muita pompa a caminho da casa de sua dama. Sim, nessa cidade haviam damas do dia e da noite. Raios de uma luz limpa e delicada formam linhas douradas e escapam entre as copas das árvores trazendo ao presente um pouco da atmosfera bucólica de outros dias, outras épocas.
Mulheres vestidas com roupas de domingo, flores  e cores nas roupas, lenço dos cabelos parecem ignorar a tristeza de ser prisioneira dentro de seu próprio país. Sorrisos reais desafiam a pobresa, a repressão. O motorista de um cadilac vermelho conversível dos anos 50 passa por mim e asim como todos os outros carros da Ilha, oferece os serviços de taxi. Meus pés sentem os 10 Km não tanto como meus olhos. Já atravessei o Malecon e depois de ver o imponente Hotel Nacional é hora de conhecer Havana Vieja.
No caminho, perto do museu da revolução cubana onde Fidel narra seu conto de fadas ilustrado com fardas, listas de desapropriações, Che Guevarra de cera e um canto dos Imbecis com caricaturas de Bush, Reagen e Battista, vejo a luta do dia a dia. Crianças acompanham as mães na fila de uma instituição pública, como todas em Cuba, proibidas para nós, turistas, enquanto assistem em silêncio o sorteve passar nas mãos de quem pode comprar o peso convetible, a moeda cubana usada por nós, seres de outro planeta. Mais a frente está o Hotel de Sevilha guarda a imponencia e charme dos Mouros, azulejos pintados a mão e janelas em arco contam um pouco da história dos colonizadores.
Hemingway era socialista fervoroso, conhecedor e admirador de homens como Karl Max, Lenin e outros da sua época, escolheu Havana como lar e o povo daqui o escolheu como ídolo, o que não deixa de ser curioso já que nenhum ódio é tão visivel como o dos cubanos pelos americanos, até uma brasileira como eu teve que pagar 20% de todos os dólares que trocou por conta desse ódio, isso que dá comprar dolar e não euro. Mas voltando ao Hemingway, sua assinatura está na maior parte dos bares, no mohito do Bodeguita del Medio (delicioso), no daiquiri do Florentita e em outros cantos boêmios desta cidade parada no tempo.
E já que meus pés haviam trabalhado todo o dia nada mais justo do que um descanço. Na cobertura do Hotel Zaratonga, de onde a cúpula do capitólio faz sombra as ruas idílicas e a cidade parece um cartão postal sem as mazelas da realidade, tomo mais um mohito e fumo finalmente o charuto cohiba comprado de Angelito, mais um trabalhador do sistema comunista que recebe o salario ”justo” no emprego da fabrica de charutos Partagas e vende por fora para ganhar o salário real dos cubanos.
Os útimos raios de sol cobrem a cidade dos irmãos Castro enquanto nós ouvimos mais um genio cubano tocar e cantar o jazz que só quem nasce aqui sabe fazer. Viva Cuba!

 

Fevereiro 1, 2008

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 2:15 pm

poster_10591.jpgÉ uma ilha tão grande que depois de descoberta, Colombo ficou na dúvida se era mesmo ilha ou parte do Continente. Os italianos além de dedcobrirem ainda inventaram o primeiro telefone nessa ilha. Isso mesmo, o escocês radicado nos EUA ainda aprendia a engatinhar enquanto Antonio Meucci fazia a primeira ligação telefônica, em 1849.

Foi também palco de Che e da revolução que carrega até hoje a figura amada e odiada de Fidel. Coca colla, MC Donnald´s e qualquer outra referencia americana são palavras proibidas nessa terra onde o sexo e as festas são preferencia nacional.

Em breve serei também eu testemunha desta terra decadente e surpreendente. Hoje começo a preparar minha malas para Havana… Em breve espero mandar noticias e fotos das peripécias de Fidel.

Bom carnaval a todos

 

Cartas Janeiro 22, 2008

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 7:41 pm

Fax, e-mail, skype, msn, torpedos… A comunicação nunca foi tão vasta e ao mesmo tempo tão vil.Onde foi parar a letra escrita a mão?  E as cartas que diziam mais do que as palavras?  As letras borradas por alguma gotinha ou mais densas, escritas com força, com coragem. Nossas relações são fruto da comunicação ou da falta dela. Arriscaria uma questão pensado assim, as pressas, como quem escreve no msn: O romantismo e a sensibilidade se perderam em meio a velocidade?E respondendo também sem muito pensar concluo que não! Para alegrar uma alma que não conhece o cheiro  do nanquim, bem resolve algumas palavrinhas muito bem escolhidas anunciadas por um bip e recebidas imediatamente. Coisa boa é poder trocar cartinhas de qualquer lugar, sem ter que esperar o carteiro chegar…Mas que cartas são pedacinhos de quem as escreve, isso não se pode negar.

 

Pense nisso Janeiro 15, 2008

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 2:32 pm

Quem não sabe o que quer, quando encontra não acha…

 

De volta com muita calma Janeiro 14, 2008

Arquivado em: Viagens — giovannavilela @ 12:17 pm

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Na Bahia o tempo parece correr diferente, o sol vai embora logo sem o horario de verão e talvez por isso acorde tão cedo que acaba clareando as noitadas regadas a pinga com gengibre e mel no Cantinho Doce.

Trancoso é uma antiga vila onde já viveram índios, hippies e alguns baianos chamados de Biribandos. As praias são muito bonitas, mas não tem nada que justifique o boom mobiliário dos últimos anos. O campo de futebol, conhecido como quadrado já foi campo de batalha entre tribos, mato sem dono e lógico campo de futebol. Qualquer desavisado que cair de balão ou de disco voador, e não pense que isso é impossível pois em Trancoso nada é, vai entender ainda que sem saber porque que a terra é redonda e debaixo do céu do quadrado a vida passa sem pressa e quase sempre com surpesas. Lá, no quadrado é facil entender porque todos sonham com um pedacinho de terra em Trancoso.

Este ano foi magico como de costume. O Cacau e Capim Santo continuam cheios de charme e com a criatividade e sabor que so a cozinha brasileira tem, mas nada como chegar cheio de fome e nao esperar nem um minutinho baiano, e isso, só no Portinha. A Missa cantada por Elba Ramalho do lado de fora da Igrejinha no dia do natal emocionou a todos, principalmente aos judeus, maioria nesta época do ano.Trancoso tem dessas coisas, faz judeu assistir missa, meninas darem voltas no quadrado tomando pinga até tropeçar nos troncos bebados e faz tambem muita gente acostumado a andar de carro importado anadar  de havaianas. O quadrado é magico mesmo para os que não provam os bolos baianos e as poçoes encantadas dos malucos da região.

Para entrar no clima baiano e preciso ter calma, muita calma explica a plaquinha atras da igreja.Mas foi no último dia que entendi bem o espirito baiano. Pedi meu cafe da manha e como de costume depois de uma hora, nada. Foi quando o garçom chegou perto da minha mesa e perguntou: – O que mesmo que voce pediu? Eu respondi e perguntei quanto tempo iria demorar e foi aí que entendi. – Ah não demora muito, jajá está pronto, jajá baiano, sabe como é.

É isso, na Bahia o tempo tem seu tempo, Cronos não apita nada, jajá pode demorar 1 minuto, uma hora ou para sempre, pois lá, para sempre não é muito longe. 

Trancoso quebra todas as regras e ainda sim mantem o charme, me faz lembrar da Beth minha professora de piano ao falar sobre Bossa Nova, esquece tudo o que te falei, ela dizia, na bossa é tudo diferente mas de alguma forma fica lindo e com harmonia. É isso, Trancoso tem bossa… 

 

POEMA DE NATAL- Vinicius de Moraes Dezembro 20, 2007

Arquivado em: Literatura, Uncategorized — giovannavilela @ 2:50 pm

Amanhã viajo. Viajo em todos os sentidos. Vou para Trancoso, acordar com o barulho do mar, pisar na areia e me jogar nas ondas.

Amanhã meu mundo fica ainda mais redondo quando de noitinha, sentada sobre o céu do quadrado , vou olhar as estrelas se perderem nas ondas do mar.

Amanhã vou correr entre o transito caótico dos siris. Vou entrar num shopping com chão de terra e fazer a ceia de natal entre os coqueiros e os pés de cacau.  

Amanhã meu tempo finalmente vai sobrar…

Feliz natal para todos vocês que estiveram comigo durante este ano e no ano que vem desejo muita sorte e alegria para todos nós…

Meu presente para vocês coloco nas palavras de Vinicius.

to: my etternal affection

“Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.”

 

THE POLICE Dezembro 11, 2007

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 1:47 pm

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Brasil no divã Novembro 29, 2007

Arquivado em: Política, Uncategorized — giovannavilela @ 5:40 pm

Não é que não tenho esperança, é que leio os jornais todos os dias.

Ou o Brasil é bipolar ou suicida. De qualquer forma, eu diria que é hora de procurar um terapeuta!

 

The Police Novembro 27, 2007

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 2:47 pm

 

Novembro 23, 2007

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 4:40 am

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Que tal aprender algo novo hoje? Abra as portas da sua vida. Não arriscar nada é arriscar tudo!

 

Novembro 23, 2007

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 3:06 am

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Deixou a solidão esperando calada no canto.  Saiu cantando.

Procurando não achar…

 

Novembro 23, 2007

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 2:41 am

Quanto mais procuro menos sei o que quero…

 

De casa nova Novembro 19, 2007

Arquivado em: A vida como ela é, Uncategorized — giovannavilela @ 3:46 pm

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Mudar é preciso, aprender também. Hoje é dia de começar…

De soltar as palavras, de deixar o vento chegar.

Sejam benvindos à minha nova casa virtual!

 

Dia das crianças pós-modernas Outubro 11, 2007

Arquivado em: Uncategorized — giovannavilela @ 12:28 pm

Tudo muda o tempo todo no mundo, já cantava Lulu em meus tempos de menina. Ser criança hoje não é coisa para qualquer um. Tem que ser muito adulto para poder ser criança.
Ah que saudades do tempo em que ser criança era ter medo da Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Criança hoje tem medo de bala perdida, de ônibus que pega fogo e por aí vai.

E as mudanças continuam. Quem ouviu balão mágico e pegou carona na cauda do cometa, seguramente já teve uma Caloi-Ceci (assim com maiúscula mesmo, afinal era minha melhor amiga)ou uma moto cross. Rua era lugar onde fazíamos amigos e de vez em quando inimigos também, quantas vezes não voltávamos para casa com joelho esfolado, roupa suja e lagrima presa no canto do olho? Ah que saudades das dores ingênuas, das ruas tranqüilas, do brigadeiro na calçada e do chocolate de cigarrinho da Pan.

Escola era lugar para estudar. Mas estudar não significava ser o melhor no futuro. A competição estava na escola, é claro, mas era na quadra que lutávamos com armas que crianças deveriam usar. Criança não tinha que aprender 3 línguas. Aprendíamos a brincar, afinal éramos crianças.

Se não me engano alguma coisa mudou hoje. Os caras que aprendi na escola trabalhavam pelo pai,s vivem num parquinho de diversões chamado Brasília. Os adultos que em minha ingênua crença deveriam fazer primeiro os deveres e depois as cobranças, inverteram tudo e saem por ai montando barraquinhas e cobrando um pedacinho de terra para pendurar a rede.

E as crianças? Continuam brincando, só que agora com armas, computadores mais complexos do que os que eu sei usar. As crianças também fazem outras crianças e cada dia mais cedo. O cigarrinho de chocolate sumiu do mapa, mas outros cigarros estão a solta por aí nas ruas que agora não esfolam mais o joelho de ninguém, afinal criança agora vive presa atrás das grades da casa, da escola e do carro com vidros pretos.

Mas e aí, me perguntam. Você acha que nada melhorou? Opa melhorou sim.
O mertiolate hoje não arde!