Palavras ao vento…

causos, verdades e mentiras de uma vida repletas de palavras.

Havana, a cidade onde o tempo parou… Fevereiro 14, 2008

Filed under: Dicas e Viagens,Uncategorized,Viagens — giovannavilela @ 6:30 pm
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Andava sem pressa entre cubanos incógnitos, ingênuos… A intenção era me perder entre os mausoléus neoclassicos e os carros imponentes de uma época em que haviam cavalheiros acompanhados de seus charutos e muita pompa a caminho da casa de sua dama. Sim, nessa cidade haviam damas do dia e da noite. Raios de uma luz limpa e delicada formam linhas douradas e escapam entre as copas das árvores trazendo ao presente um pouco da atmosfera bucólica de outros dias, outras épocas.
Mulheres vestidas com roupas de domingo, flores  e cores nas roupas, lenço dos cabelos parecem ignorar a tristeza de ser prisioneira dentro de seu próprio país. Sorrisos reais desafiam a pobresa, a repressão. O motorista de um cadilac vermelho conversível dos anos 50 passa por mim e asim como todos os outros carros da Ilha, oferece os serviços de taxi. Meus pés sentem os 10 Km não tanto como meus olhos. Já atravessei o Malecon e depois de ver o imponente Hotel Nacional é hora de conhecer Havana Vieja.
No caminho, perto do museu da revolução cubana onde Fidel narra seu conto de fadas ilustrado com fardas, listas de desapropriações, Che Guevarra de cera e um canto dos Imbecis com caricaturas de Bush, Reagen e Battista, vejo a luta do dia a dia. Crianças acompanham as mães na fila de uma instituição pública, como todas em Cuba, proibidas para nós, turistas, enquanto assistem em silêncio o sorteve passar nas mãos de quem pode comprar o peso convetible, a moeda cubana usada por nós, seres de outro planeta. Mais a frente está o Hotel de Sevilha guarda a imponencia e charme dos Mouros, azulejos pintados a mão e janelas em arco contam um pouco da história dos colonizadores.
Hemingway era socialista fervoroso, conhecedor e admirador de homens como Karl Max, Lenin e outros da sua época, escolheu Havana como lar e o povo daqui o escolheu como ídolo, o que não deixa de ser curioso já que nenhum ódio é tão visivel como o dos cubanos pelos americanos, até uma brasileira como eu teve que pagar 20% de todos os dólares que trocou por conta desse ódio, isso que dá comprar dolar e não euro. Mas voltando ao Hemingway, sua assinatura está na maior parte dos bares, no mohito do Bodeguita del Medio (delicioso), no daiquiri do Florentita e em outros cantos boêmios desta cidade parada no tempo.
E já que meus pés haviam trabalhado todo o dia nada mais justo do que um descanço. Na cobertura do Hotel Zaratonga, de onde a cúpula do capitólio faz sombra as ruas idílicas e a cidade parece um cartão postal sem as mazelas da realidade, tomo mais um mohito e fumo finalmente o charuto cohiba comprado de Angelito, mais um trabalhador do sistema comunista que recebe o salario “justo” no emprego da fabrica de charutos Partagas e vende por fora para ganhar o salário real dos cubanos.
Os útimos raios de sol cobrem a cidade dos irmãos Castro enquanto nós ouvimos mais um genio cubano tocar e cantar o jazz que só quem nasce aqui sabe fazer. Viva Cuba!

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2 Responses to “Havana, a cidade onde o tempo parou…”

  1. Pedro - RJ Says:

    Deve ter sido uma experiência enriquecedora. Não conheço Havana, mas imagino como seria bacana passear por aquelas ruas com os casarões em estilo barroco, neoclássico, enfim uma cidade de uma rica tradição histórica e cultural. Fiquei com vontade de conhecer agora ..rs
    Beijos

  2. Enzo Says:

    Muito bom. Espero mais fotos dessa aventura!
    beijos minha querida


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